Alícia permaneceu junto à porta do carro, com toda a sua atenção voltada para o homem lá dentro.
— Fale. — disse ela.
Kylen observou a ponta do nariz dela, avermelhada pelo vento frio, e um floco de neve que pousou em sua bochecha macia, derretendo logo em seguida.
— Entre.
Após dizer essa única palavra, Kylen subiu o vidro.
Diante da janela fechada, Alícia trincou os dentes, deu a volta no carro, abriu a porta traseira e entrou.
Sentou-se de frente para Kylen.
Seu corpo, gelado pelo vento, foi instantaneamente envolvido pelo aquecimento do carro, fazendo seus poros se dilatarem.
Involuntariamente, ela encolheu-se um pouco. A ponta de seu sapato tocou a bengala dele, encostada ao lado. Ela ergueu o queixo:
— Você recusou minha entrevista de propósito. O que você quer, afinal?
Kylen baixou os olhos para os joelhos deles, que quase se tocavam.
— Volte comigo para o Jardim Sombrio.
Alícia estacou.
Um sorriso cínico surgiu em seus lábios. Ela aproximou seu rosto da face impecável dele e disse, pausadamente:
— Sem. A. Menor. Chance!
De repente, algo lhe ocorreu e ela o olhou com desconfiança:
— Você mandou buscarem minha mala de volta, não mandou?
Diante daquele rosto vibrante e expressivo, os olhos de Kylen eram como poços de tinta negra onde nenhuma luz penetrava.
Cada sorriso, cada gesto, até mesmo sua raiva, eram como um veneno viciante e irresistível. Não era de se admirar que Julian estivesse obcecado.
Quando ela tentou endireitar o corpo, a mão grande de Kylen segurou sua nuca, puxando-a para seus braços.
A palma quente e seca deslizou por baixo da bainha de sua roupa, apertando sua cintura fina através da blusa térmica — a mesma cintura que tantos homens haviam cobiçado naquela noite.
Ela não era exatamente perspicaz em assuntos do coração, mas também não era estúpida. No entanto, Julian sempre disfarçara muito bem seus sentimentos.
Até mesmo naquela noite, no Jardim Luz, ele perguntara se ela gostara do broche como quem não quer nada.
Ela jamais imaginara que Julian sentisse algo por ela...
Kylen segurou o queixo dela, observando sua expressão atônita, e a frieza em seus olhos aprofundou-se.
— Você acha que cem milhões é apenas um favor entre amigos?
Cem milhões, obviamente, não era apenas um favor.
Era uma dívida emocional.
— Você vendeu para ele? — Alícia deixou escapar, sua voz trêmula traindo uma pitada de pânico.
Mas ela não esperava a reação que viria. Ao ouvir aquilo, a escuridão nos olhos de Kylen pareceu trincar, e a expressão sombria que tomou conta de seu rosto foi de gelar o sangue.
— Você quer tanto assim que eu venda para ele?

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