Aquele lance de cem milhões pelo broche equivalia a um ultimato. Mesmo que alguém ousasse cobrir a oferta, a atitude de Kylen deixava claro que ele estava determinado a levar a peça, custasse o que custasse.
Numa disputa de riqueza, quem em Cidade Linvar poderia competir com Kylen?
Alcides só não abriu a boca para contestar porque Alícia segurou sua mão sobre a placa, dizendo firmemente:
— Eu não quero.
— Alcides, eu não gosto desse broche.
Ela falou exatamente no instante em que o salão silenciou. Sua voz não chegou a ecoar por todo o recinto, mas caiu com clareza nos ouvidos das pessoas sentadas nas fileiras imediatamente à frente e atrás.
Yolanda manteve o olhar sereno, observando os dedos longos e limpos do homem ao seu lado, que tamborilavam levemente no braço da poltrona.
Alcides deu de ombros, indiferente:
— Cem milhões, eu posso cobrir. Não se preocupe com o valor.
— Se eu gostasse, faria questão de tê-lo, mesmo que fosse um pedaço de ferro velho. Mas, como não gosto, pode ser a joia mais valiosa do mundo que não me interessa.
Alícia reiterou com uma expressão séria:
— Eu realmente não quero.
A pequena comoção não afetou o andamento do leilão.
Rapidamente, os funcionários trouxeram a caixa com o broche de safira até Kylen, que assinou o cheque com movimentos ágeis e precisos.
— O Diretor Lourenço arrematou o broche... será que pretende presentear sua nova paixão?
— Eu vi a Sra. Arantes olhando fixamente para a peça, ela devia ter gostado muito. O Diretor Lourenço não economiza para agradar uma bela mulher!
— Mas ouvi dizer que essa Alícia é a Sra. Lourenço. O Diretor Lourenço não estaria dando um tapa na cara dela em público agindo assim?
— É apenas uma Sra. Lourenço que ninguém reconhece. Quem se importa?
Em meio aos sussurros maldosos, Alícia retirou-se discretamente do recinto.
Ela caminhava de volta ao salão principal, ajustando o xale ao redor do corpo, quando sentiu um peso cair sobre seus ombros, trazendo o calor de um sobretudo masculino.
Sua respiração falhou por um instante. Ao se virar, encontrou o olhar preocupado de Julian.
— Julian! — Alícia forçou um sorriso. — Por que você saiu?
A porta do carro foi aberta e Kylen curvou-se para entrar.
— Kylen!
Em meio à neve que caía, Julian caminhou apressado em sua direção.
Julian era conhecido em Cidade Linvar como o perfeito cavalheiro, sempre mantendo uma postura calma e elegante. Nada parecia capaz de tirar-lhe o prumo ou a compostura.
Kylen segurou a porta do carro, lançando-lhe um olhar inquisitivo.
— Você vai dar aquele broche para a Yolanda?
— E se for?
O tom de Kylen parecia carregar o mesmo frio cortante da ventania.
Vinicius franziu a testa. Julian e Kylen eram como irmãos há mais de vinte anos e nunca interferiam nos assuntos um do outro.
Julian deu um passo à frente e disse com franqueza:
— Pela sua resposta, parece que não pretende dar a ela. Então, venda para mim.

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