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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 112

Aquele lance de cem milhões pelo broche equivalia a um ultimato. Mesmo que alguém ousasse cobrir a oferta, a atitude de Kylen deixava claro que ele estava determinado a levar a peça, custasse o que custasse.

Numa disputa de riqueza, quem em Cidade Linvar poderia competir com Kylen?

Alcides só não abriu a boca para contestar porque Alícia segurou sua mão sobre a placa, dizendo firmemente:

— Eu não quero.

— Alcides, eu não gosto desse broche.

Ela falou exatamente no instante em que o salão silenciou. Sua voz não chegou a ecoar por todo o recinto, mas caiu com clareza nos ouvidos das pessoas sentadas nas fileiras imediatamente à frente e atrás.

Yolanda manteve o olhar sereno, observando os dedos longos e limpos do homem ao seu lado, que tamborilavam levemente no braço da poltrona.

Alcides deu de ombros, indiferente:

— Cem milhões, eu posso cobrir. Não se preocupe com o valor.

— Se eu gostasse, faria questão de tê-lo, mesmo que fosse um pedaço de ferro velho. Mas, como não gosto, pode ser a joia mais valiosa do mundo que não me interessa.

Alícia reiterou com uma expressão séria:

— Eu realmente não quero.

A pequena comoção não afetou o andamento do leilão.

Rapidamente, os funcionários trouxeram a caixa com o broche de safira até Kylen, que assinou o cheque com movimentos ágeis e precisos.

— O Diretor Lourenço arrematou o broche... será que pretende presentear sua nova paixão?

— Eu vi a Sra. Arantes olhando fixamente para a peça, ela devia ter gostado muito. O Diretor Lourenço não economiza para agradar uma bela mulher!

— Mas ouvi dizer que essa Alícia é a Sra. Lourenço. O Diretor Lourenço não estaria dando um tapa na cara dela em público agindo assim?

— É apenas uma Sra. Lourenço que ninguém reconhece. Quem se importa?

Em meio aos sussurros maldosos, Alícia retirou-se discretamente do recinto.

Ela caminhava de volta ao salão principal, ajustando o xale ao redor do corpo, quando sentiu um peso cair sobre seus ombros, trazendo o calor de um sobretudo masculino.

Sua respiração falhou por um instante. Ao se virar, encontrou o olhar preocupado de Julian.

— Julian! — Alícia forçou um sorriso. — Por que você saiu?

A porta do carro foi aberta e Kylen curvou-se para entrar.

— Kylen!

Em meio à neve que caía, Julian caminhou apressado em sua direção.

Julian era conhecido em Cidade Linvar como o perfeito cavalheiro, sempre mantendo uma postura calma e elegante. Nada parecia capaz de tirar-lhe o prumo ou a compostura.

Kylen segurou a porta do carro, lançando-lhe um olhar inquisitivo.

— Você vai dar aquele broche para a Yolanda?

— E se for?

O tom de Kylen parecia carregar o mesmo frio cortante da ventania.

Vinicius franziu a testa. Julian e Kylen eram como irmãos há mais de vinte anos e nunca interferiam nos assuntos um do outro.

Julian deu um passo à frente e disse com franqueza:

— Pela sua resposta, parece que não pretende dar a ela. Então, venda para mim.

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