POV: MOON BITTENCOURT
Ela concordou.
Os dois voltaram para a mesa onde estavam os relatórios financeiros.
Fiquei observando a interface.
Meu pai gostava de computadores.
Gostava tanto que, às vezes, mamãe precisava chamá-lo três vezes para jantar.
Eu me lembrava disso.
Lembrava também de entrar no escritório e encontrá-lo sentado diante de dois monitores, com uma caneca de café ao lado do teclado.
Ele sempre sorria quando me via.
— Minha Lua chegou!
A lembrança me fez sorrir.
Eu adorava quando me chamava daquele jeito.
Meu pai dizia que tinha duas meninas muito diferentes. Sky era séria, organizada e gostava de fazer tudo direito. Eu era curiosa, bagunceira e tinha mania de apertar todos os botões que encontrava.
Ele dizia que precisava esconder os computadores de mim.
Nunca escondia.
Pelo contrário.
Às vezes, me colocava sentada em seu colo e deixava que eu participasse de alguma coisa.
Não do trabalho verdadeiro.
Dos jogos que inventava.
Fechei os olhos.
Tentei me lembrar de um deles.
Havia estrelas.
Eu tinha certeza.
Uma tela escura, com pequenos pontos brilhantes que eu precisava encontrar.
Cada vez que acertava, meu pai fazia uma pergunta.
Algumas eram fáceis.
Outras me deixavam irritada.
Lembrei de uma vez em que ele perguntou qual era a coisa mais importante do mundo.
Eu tinha respondido que era meu ursinho.
Ele riu tanto que mamãe apareceu para saber o que estava acontecendo.
Sorri com a lembrança.
— Moon?
Abri os olhos.
Sakura estava me observando.
— Você está chorando?
Passei a mão pelo rosto.
Meus dedos ficaram molhados.
— Um pouquinho.
Ela se levantou imediatamente.
— Quer ir embora?
— Não.
— Tem certeza?
Assenti.
— Estou lembrando de algumas coisas.
Sakura se aproximou.
— Quer contar?
Olhei novamente para a tela.
— Meu pai fazia jogos para mim. Tinha um que era sobre estrelas.
Nathan ergueu os olhos.
— Como funcionava?
— Eu precisava encontrar algumas coisas escondidas. E tinha perguntas.
— Perguntas sobre o quê? — Sakura quis saber.
— Sobre mim, sobre a mamãe, sobre a Sky...
Parei.
Uma lembrança apareceu.
Meu pai estava sentado diante do computador, segurando minha mão.
Eu tinha reclamado porque ele não queria me deixar escolher uma senha muito fácil.
— Senha? — murmurei.
Sakura se inclinou.
— O quê?
Olhei para ela.
— Eu acho que ele me deixou escolher uma senha.
Nathan se aproximou imediatamente.
— Para esse programa?
Balancei a cabeça.
— Não sei.
Fechei os olhos novamente.
Tentei lembrar da conversa.
Eu estava sentada no colo dele.
A mamãe tinha entrado no escritório e perguntado se estávamos trabalhando ou brincando.
Meu pai respondeu que estávamos protegendo um segredo.
Eu ri.
Lembrava daquilo.
Lembrava de ter colocado as mãos sobre o teclado.
Mas não lembrava das letras.
— Droga!
Sakura segurou meu braço.
— Calma.
— Eu estou tentando lembrar!
— Eu sei.
Nathan se agachou ao meu lado.
— Moon, olha para mim.
Virei o rosto.
— O quê?
— Você não precisa descobrir a senha agora.
— Mas talvez eu saiba!
— Talvez. E isso já é importante.
Respirei fundo.
Ele apontou para a tela.
— Você reconheceu o programa. Isso é mais do que sabíamos antes.
Assenti lentamente.
— Só não entendo por que meu pai teria usado uma senha que eu escolhi.
Nathan ficou pensativo.
— Ainda não sabemos se foi ele quem configurou o acesso.
— Mas o programa parece ser dele.
— Pode ser. Precisamos verificar.
Olhei novamente para o pequeno desenho.
— Ele gostava de dizer que eu guardava segredos muito bem.
Sakura sorriu.
— Você?
Fiz uma careta.
— Eu era uma criança confiável!
— Claro.
— Sakura!
Ela começou a rir.
Acabei rindo também.
Depois me lembrei de outra coisa.
— Meu pai dizia que só a Lua sabia.
Sakura parou de rir.
— Como assim?
Franzi a testa.
— Era uma brincadeira nossa.
Tentei recuperar a lembrança.
— Quando a Sky perguntava alguma coisa que eu não queria contar, meu pai falava: “Só a Lua sabe”.
Sorri.
— E eu ficava toda orgulhosa.

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