POV/ CHRISTIAN
Meu estômago se contraiu.
— Onde você está?
— Ainda em casa.
— Está sozinha?
— Estou.
Passei a mão pelo rosto.
— Certo. O que você precisa?
— Encontrar você. Mas tem que ser num lugar discreto.
— Tudo bem.
— E, Christian...
— O quê?
— Eu não quero que você conte para o Diego.
Franzi a testa.
— Por quê?
— Nem para o Nathan.
Aquilo era cada vez mais estranho.
— Sakura, você está se metendo em alguma coisa?
— Não estou fazendo nada errado.
— Não foi isso que perguntei.
Ela suspirou.
— Eu só quero mostrar uma coisa antes de tirar qualquer conclusão. Pode ser?
Olhei novamente para o corredor.
Helena permanecia sentada, com o lenço entre as mãos.
— Está bem. Vamos nos encontrar.
— Hoje?
Consultei o horário.
Minha agenda estava completamente comprometida, mas a menção à Blackwood e às meninas tinha despertado minha atenção.
— Hoje. Conheço uma cafeteria mais reservada. Vou mandar o endereço.
— Obrigada.
— Sakura?
— Oi?
— Você está segura?
Ela demorou um instante para responder.
— Estou, Christian. Não precisa se preocupar.
Eu já estava preocupado.
— Então não faça nada até conversarmos.
— Tá bom.
Desliguei.
Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.
Sakura não era uma pessoa que costumava pedir reuniões secretas sem motivo. Além disso, havia alguma coisa na maneira como mencionara a Blackwood que me incomodava.
Precisava sair, mas não deixaria minha avó sozinha naquele estado.
Procurei o contato de Ravi e liguei.
Ele atendeu na terceira chamada.
— Fala, Christian.
— Está ocupado?
— Por quê?
— Preciso que venha buscar a vó no hospital.
— Aconteceu alguma coisa?
Olhei discretamente para Helena.
— Ela está muito abalada. Surgiu um assunto que preciso resolver e não quero que ela volte sozinha. Vem com o motorista, por favor.
— Estou indo. Ela está bem?
— Está triste. Chorou bastante enquanto estávamos com o Rocco.
Ravi suspirou do outro lado da linha.
— Vou sair agora.
— Obrigado, cara.
Desliguei e voltei para perto dela.
— Preciso resolver um assunto, vó.
Ela levantou a cabeça.
— Da empresa?
Hesitei por um instante.
— Pode ser.
Helena assentiu.
— Vá, querido. Não precisa ficar aqui comigo.
— Liguei para o Ravi. Ele está vindo com o motorista para buscar a senhora.
— Christian, eu poderia ir apenas com o motorista.
— Eu sei. Mas o Ravi também precisa sair um pouco de casa.
Ela não discutiu.
Abaixei-me e beijei sua testa.
— Quero que a senhora vá para casa, coma alguma coisa e descanse.
— Você também precisa fazer isso.
— Vou tentar.
Ela segurou minha mão antes que eu me afastasse.
— Christian?
— Oi, vó.
Seus olhos estavam novamente cheios de lágrimas.
— Nunca deixe que ninguém faça você se esquecer de quem é.
Franzi a testa.
— Não vou esquecer.
— E cuide das pessoas que ama.
Pensei imediatamente em Moon.
— Sempre.
Helena apertou minha mão.

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