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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 526

POV / CHRISTIAN

Havia três coisas que eu não suportava: café frio, reuniões desnecessárias e pessoas que me ligavam para perguntar sobre um documento que já estava anexado ao e-mail.

Naquela manhã, consegui reunir as três antes das nove horas.

— Christian, o pessoal do financeiro está aguardando sua autorização para liberar os relatórios — informou minha secretária, parada diante da mesa.

Levantei os olhos do computador.

— Quais relatórios?

— Os da auditoria.

— Eu pedi esses relatórios ontem.

— Eles querem saber se podem liberar as versões preliminares.

Tirei os óculos e esfreguei os olhos.

— Mande liberar. E diga que, se alguém precisar de autorização para respirar, pode considerar concedida também.

Ela apertou os lábios, segurando uma risada.

— Certo, senhor.

— E o café?

— Está chegando.

— Espero que seja quente.

Assim que ela saiu, recostei-me na cadeira e observei a quantidade de documentos espalhados pela mesa.

A Blackwood tinha se transformado num problema que crescia toda vez que eu tentava resolvê-lo.

Desde que Rocco fora hospitalizado, praticamente não existia diferença entre minha vida pessoal e a profissional. Eu acordava com mensagens de diretores, passava o dia resolvendo problemas que deveriam ser divididos entre pelo menos cinco pessoas e voltava para casa levando trabalho suficiente para ocupar o restante da madrugada.

Meu pai havia assumido temporariamente parte das funções executivas, o que deveria ter aliviado minha rotina. Na prática, sua presença ajudava a manter as operações funcionando, mas também significava que decisões importantes precisavam passar por nós dois.

Eu confiava nele.

Lorenzo Blackwood tinha me dado uma família, uma educação e oportunidades que jamais imaginei ter quando era criança. Não esquecia de onde tinha vindo, muito menos do que ele fizera por mim.

Ainda assim, havia questões administrativas que nem meu pai conseguia resolver sem consultar os registros dos últimos anos.

A auditoria era a principal delas.

O procedimento deveria ter sido realizado antes da mudança de gestão, quando Rocco assumiu a presidência. Teríamos conhecido a situação financeira da companhia, as obrigações pendentes, os contratos antigos e os riscos deixados pela administração anterior.

Mas não.

Resolveram discutir uma auditoria completa justamente quando a empresa enfrentava rumores de venda, divergências entre acionistas e um presidente internado.

Maravilhoso.

Eu tinha certeza de que alguém, em algum lugar, estava se divertindo com a minha desgraça.

Meu celular vibrou sobre a mesa.

Era Moon.

Moon: Bom dia, meu amor. Você dormiu alguma coisa?

Sorri sem perceber e respondi.

Christian: Umas três horas. Estou considerando isso uma vitória.

A resposta veio quase imediatamente.

Moon: Christian, você vai acabar doente.

Balancei a cabeça. Ela só me chamava pelo nome, naquele tom de bronca, quando estava preocupada ou irritada.

Naquela semana, geralmente estava as duas coisas.

Christian: Estou bem, princesa.

Moon: Você fala isso todo dia.

Christian: Porque é verdade.

Moon: Mentiroso.

Soltei uma risada.

Antes que pudesse responder, outra mensagem apareceu.

Moon: Estou com saudade de você.

Meu sorriso diminuiu.

Eu também estava com muita saudade da minha ratinha.

Fazia dias que não conseguia vê-la pessoalmente. Conversávamos por mensagens e chamadas de vídeo, mas não era a mesma coisa. Sentia falta de abraçá-la, de ouvir suas reclamações, de sentir seu cheiro e até de brigar com ela para que se alimentasse direito.

O problema não era falta de vontade.

Minha família estava reunida na minha casa, Rocco permanecia hospitalizado e a tensão envolvendo os Bittencourt continuava longe de desaparecer.

Moon era minha noiva.

Minha família ainda não sabia.

E, naquele momento, contar que eu estava apaixonado por uma Bittencourt seria uma excelente maneira de provocar outra tragédia doméstica.

Christian: Também estou morrendo de saudade. Vou tentar te ver esta semana.

Demorou um pouco para ela responder.

Moon: Você sempre vai tentar.

Fiquei olhando para a mensagem.

Antes que encontrasse alguma coisa para dizer, alguém bateu na porta.

— Entre.

Meu pai apareceu carregando uma pasta.

— Tem um minuto?

Bloqueei a tela do celular.

— Para você, sempre, pai.

Ele entrou e ocupou a cadeira diante da minha mesa.

— Conseguiu alguma novidade da auditoria?

— Se eu tivesse conseguido, provavelmente estaria comemorando com uma garrafa de uísque.

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