POV/ SAKURA
Nathan assentiu.
— Ela merece saber.
— Merece.
Apoiei os braços sobre a mesa.
Eu ainda estava indignada com aquela descoberta.
Sky tinha sofrido por causa da denúncia. Havia sido acusada de plagiar um projeto, enfrentado questionamentos sobre sua capacidade profissional e passado por uma situação humilhante.
E Gael, que já tinha feito parte da vida dela, estava por trás daquilo.
— Aquele desgraçado — murmurei.
Nathan olhou para mim.
— Gael?
— Quem mais?
Ele soltou o ar pelo nariz.
— Também não gosto dele.
— Eu queria entender o que passa pela cabeça de um homem para fazer uma coisa dessas com alguém que já amou.
Nathan ficou em silêncio por alguns segundos.
— Nem todo mundo gosta quando diz gostar, e outros não sabem dizer que gosta quando na verdade sao completamente apaixonados.
Olhei para ele.
— Está falando por experiência própria?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não começa.
Sorri.
— Só perguntei.
Nathan devolveu meu celular.
— Vamos continuar falando do Gael.
— Nossa, que mudança de assunto suspeita.
Ele balançou a cabeça, mas não conseguiu esconder o sorriso.
Guardei o aparelho na bolsa.
A lembrança de Lorenzo falando ao telefone voltou enquanto examinava a mesa.
— Nathan.
— Oi?
— Você acha que ele estava falando do Rocco?
Nathan compreendeu imediatamente.
— Lorenzo?
Assenti.
Ele ficou pensativo.
— Não sei, Sakura.
— Mas existe essa possibilidade.
— Existe.
Passei a mão pelos cabelos.
— E se tiver alguma coisa acontecendo enquanto ele está no hospital?
Nathan se virou completamente para mim.
— Escuta. Não temos nenhuma prova de que alguém esteja fazendo alguma coisa contra Rocco.
— Eu sei.
— E não vamos acusar os médicos ou Lorenzo por causa de uma frase que você ouviu sem contexto.
Assenti.
Nathan continuou:
— Mas podemos acompanhar as informações sobre a recuperação dele e conferir o que aconteceu com aquela transferência. Também quero entender melhor os documentos que encontramos.
Olhei para ele.
— Você está mesmo disposto a me ajudar?
Ele franziu a testa.
— Você ainda tem dúvida?
Dei de ombros.
— Ontem você mandou eu ficar quieta.
— E você obedeceu?
Comecei a rir.
— Não.
— Pois é.
Nathan passou a mão pelo rosto.
— Eu devia ter imaginado que você apareceria na empresa hoje.
— Diego precisava de ajuda.
— Precisava mesmo.
— E eu trabalhei de verdade!
— Eu sei.
— Fiz planilhas, conferi valores, organizei relatórios...
— Sakura, eu sei.
Cruzei os braços.
— Só estou esclarecendo.
Ele começou a rir.
— Você esclareceu umas cinco vezes.
Sorri, satisfeita.
Nathan se levantou e caminhou até a estante mais próxima para devolver uma última pasta. Observei enquanto conferia a etiqueta e encaixava o material no lugar correto.
Era estranho pensar que, na noite anterior, nós dois estávamos no Ambrosia.
Eu tinha ido até lá tentando descobrir se conseguiria me interessar por outro homem. Acabei encontrando Nathan, provocando uma confusão e passando horas com ele numa suíte.
Depois discutimos.
Ele deixou escapar que era apaixonado por mim.
E, mesmo assim, continuava agindo como se admitir aquilo tivesse sido um acidente.
Agora estávamos juntos novamente, dentro de um arquivo morto, investigando documentos antigos e discutindo sobre senhas.
Minha vida amorosa era realmente uma porcaria.
Nathan voltou para a mesa.
— O que foi?
Piscar foi a única reação que consegui ter.
— O quê?
— Você está me olhando e sorrindo.
Desviei o rosto.
— Não posso mais sorrir?
— Pode. Mas normalmente significa que está planejando alguma coisa.
Comecei a rir.

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