POV/ SAKURA
— E por que não aparece junto aos outros?
Nathan examinou a descrição.
— Pode ter sido separado por questões administrativas, jurídicas ou de confidencialidade. Não dá para saber só por isso.
Apoiei o cotovelo na mesa.
— Você é muito bom em destruir minhas teorias.
— Alguém precisa fazer esse trabalho.
— Chato.
Ele sorriu e voltou a digitar.
Enquanto Nathan pesquisava, peguei a pasta física de onde havíamos retirado a referência. As folhas estavam presas por um grampo enferrujado, e precisei manuseá-las com cuidado para não rasgar o papel.
Havia correspondências administrativas, solicitações de arquivamento e uma relação de documentos que deveriam permanecer vinculados ao antigo diretor.
Uma anotação manuscrita chamou minha atenção.
Aproximei a folha da luminária.
— Nathan, tem um número aqui que não aparece na etiqueta.
Ele se inclinou.
— Deixa eu ver.
Mostrei a anotação.
— Parece uma referência de armazenamento.
Nathan comparou os números com os que apareciam na tela.
— É o mesmo conjunto, mas com um código complementar.
— Isso ajuda?
— Talvez.
Ele digitou a sequência no campo de pesquisa.
O sistema apresentou dois resultados.
O primeiro correspondia à pasta física que já tínhamos encontrado. O segundo indicava um registro de transferência para um repositório externo, acompanhado de uma data e de uma identificação de acesso.
Nathan abriu o resultado.
Apareceu uma página com instruções antigas de consulta e um endereço eletrônico.
— Repositório externo? — perguntei.
— Armazenamento em nuvem. Provavelmente migraram parte dos arquivos para um serviço separado.
— Então conseguimos abrir?
— Vamos ver.
Nathan copiou o endereço para o navegador disponível naquele computador.
A página demorou alguns segundos para carregar. Quando apareceu, encontramos uma interface simples, com o nome da Blackwood no cabeçalho e um campo solicitando identificação.
Nathan digitou o código do registro.
Uma nova tela surgiu.
Dessa vez, havia um campo de senha.
E, logo abaixo, um aviso.
ACESSO PROTEGIDO — TRÊS TENTATIVAS DISPONÍVEIS.
Fiquei olhando para a mensagem.
— Três tentativas?
Nathan se aproximou da tela.
— É o que está dizendo.
— E depois?
Ele examinou as informações menores que apareciam abaixo do campo.
— O acesso é bloqueado.
— Por quanto tempo?
— Não especifica.
Inclinei-me para ler melhor.
O aviso informava que, após três senhas incorretas, o sistema impediria novas tentativas e exigiria um procedimento de recuperação.
— Que maravilha — murmurei. — Um arquivo misterioso, protegido por uma senha que ninguém sabe, num computador que demora meia hora para abrir uma página.
Nathan soltou uma risada curta.
— Pelo menos encontramos o endereço.
— Isso é uma vitória?
— Considerando o estado desse arquivo, é.
Aproximei a mão do teclado.
— E se...
Nathan segurou meu pulso antes que eu tocasse em qualquer tecla.
— Não.
Olhei para ele.
— Eu nem terminei!
— Não precisa.
— Você não sabe o que eu ia falar.
— Ia sugerir uma senha.
Abri a boca.
Fechei.
Nathan arqueou uma sobrancelha.
— Acertei?
— Odeio quando você faz isso.
Ele soltou meu pulso, mas afastou o teclado alguns centímetros.
— Não vamos desperdiçar uma tentativa.
— Eu podia tentar o nome do Rocco.
— E por que o pai dele escolheria uma senha tão óbvia para proteger documentos confidenciais?
— O nome da esposa?
— Sakura.
— A data de nascimento dos filhos?
Nathan cruzou os braços.
— Você está querendo descobrir quantas maneiras existem de perder três tentativas?
Fiz uma careta.
— Estou apresentando possibilidades.
— E eu estou dizendo que não vamos testar nenhuma.
Recostei-me na cadeira, contrariada.
— Você é muito autoritário.
— Já conversamos sobre isso.
— E continua sendo.
Nathan sorriu e apontou para o aviso.
— Três tentativas, Sakura. Se errarmos, podemos perder o acesso. Não sabemos quem configurou essa proteção, se existe alguma forma de recuperação ou se alguém seria avisado sobre o bloqueio.
Olhei novamente para a tela.
Ele tinha razão.
O simples fato de termos encontrado o endereço não significava que pudéssemos sair experimentando qualquer combinação.

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