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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 473

POV: SAKURA

Eu devia ter cancelado o jantar.

Pensei nisso enquanto passava corretivo embaixo dos olhos pela terceira vez e continuava parecendo alguém que tinha dormido dentro de um carro durante uma viagem de quinze horas. Talvez porque eu estivesse cansada demais para milagres cosméticos. Os últimos dias tinham sido uma bagunça. Hospital, funeral, Sky, Moon, Rocco na UTI, Blackwood, trabalho, meu irmão entrando e saindo como se tivesse esquecido que seres humanos precisavam dormir. Eu mesma já não sabia quantas horas tinha descansado desde que tudo começou.

Mesmo assim, Pablo tinha sido paciente. Paciente demais. Eu já tinha cancelado com ele antes e não queria fazer aquilo novamente. Prendi o cabelo, passei um pouco de perfume e encarei meu reflexo por alguns segundos, tentando convencer a mulher cansada diante do espelho de que ela conseguiria sobreviver a um jantar normal.

— Você vai jantar — falei para mim mesma. — Só isso. Comer. Conversar. Fazer uma coisa normal.

Normal. Eu tinha passado tantos anos querendo uma vida normal que seria ridículo fugir dela agora. Pablo era normal. Bonito, educado, divertido. Trabalhava, tinha a própria vida, não carregava traumas familiares suficientes para abastecer três temporadas de uma série e, principalmente, nunca tinha me dito que não podia ficar comigo porque precisava do meu irmão.

Peguei a bolsa que estava sobre a cama e imediatamente fiz uma careta.

Perfeito. Esse último pensamento tinha estragado tudo.

Nathan Beaumont não tinha absolutamente nada a ver com aquela noite.

Pablo escolheu um restaurante tranquilo, e agradeci mentalmente por isso assim que me sentei. Eu não tinha energia para música alta, gente esbarrando na minha cadeira ou garçom tentando transformar jantar em experiência gastronômica de quatro horas. O lugar tinha luz baixa, poucas mesas ocupadas e música suficientemente discreta para não obrigar ninguém a gritar.

— Você está acabada — Pablo comentou depois que fizemos os pedidos.

— Obrigada. Passei vinte minutos tentando ficar bonita.

Ele sorriu, apoiando os braços sobre a mesa.

— Você está bonita. Continua acabada.

— Melhorou bastante.

— Eu tento.

Ri e alcancei o copo de água. Era justamente isso que tornava Pablo tão difícil. Ele era legal. Se fosse um idiota, eu teria uma justificativa perfeita para não conseguir avançar com ele. Poderia reclamar, terminar, xingar durante uma semana e seguir em frente. Mas não havia nada de errado com Pablo.

O problema estava sentado do outro lado da mesa.

Eu.

— Como estão suas amigas?

— Sky recebeu alta. Ainda precisa descansar bastante. Moon está tentando cuidar dela e, ao mesmo tempo, fingir que não está preocupada com o Christian. O Rocco continua na UTI.

Pablo me observou por um instante antes de perguntar:

— E você?

Dei de ombros e peguei o garfo, embora ainda nem tivesse comida na minha frente.

— Eu estou comendo.

— Sakura.

— Isso já é bastante coisa.

Ele não insistiu. Conversamos durante o jantar, e aos poucos consegui parar de pensar em tudo o que estava acontecendo fora daquele restaurante. Pablo contou uma história sobre um cliente da loja que tinha tentado trocar uma camisa depois de usá-la em um casamento e derramar vinho na frente inteira. Eu ri. Contei algumas coisas da empresa sem entrar nos problemas que não podia comentar e, por alguns minutos, consegui relaxar.

Era fácil estar com ele.

Esse era outro problema.

Pablo não exigia nada emocionalmente complicado de mim. Eu não precisava interpretar uma frase dita anos atrás, lembrar de uma tempestade ou fingir que não conhecia cada mudança na expressão dele desde a adolescência.

Quando Pablo segurou minha mão sobre a mesa, deixei. Observei nossos dedos juntos por alguns segundos, esperando alguma coisa que não consegui definir. Não senti vontade de puxar a mão. Gostava do toque dele, gostava da companhia dele e gostava da forma como me tratava.

Também não senti aquilo que queria sentir.

Baixei os olhos para o prato e apertei os lábios.

Merda.

Já estava tarde quando o carro parou diante de casa. As luzes da sala continuavam acesas, o que significava que alguém ainda estava acordado. Soltei o cinto e me inclinei para pegar a bolsa no chão.

— Obrigada pelo jantar — falei. — E desculpa se eu fiquei meio morta durante metade dele.

— Só metade?

— Pablo.

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