NOTA DE AUTORA 📝✨
Gente, um AVISO RÁPIDO sobre a postagem de hoje! 😱📱
A plataforma acabou atualizando bem na hora em que eu estava postando, e três capítulos saíram duplicados por falha do sistema! 😩 Para compensar vocês e pedir desculpas pelo transtorno, este capítulo está GIGANTE para vocês aproveitarem bastante! 📚🔥 (Fiquem tranquilos que os erros de duplicidade já serão corrigidos pela plataforma em breve).
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POV/ MOON
Quando cheguei em casa, encontrei Sky deitada no sofá com uma manta sobre as pernas, duas almofadas atrás das costas e uma garrafa de água sobre a mesa.
Parei na entrada da sala e fiquei olhando para ela.
— Meu Deus.
Sky tirou os olhos da televisão.
— O quê?
— O Christian realmente contratou uma enfermeira.
Ela fez uma careta.
— Não fala comigo sobre isso.
Olhei para a mulher sentada na mesa da cozinha, organizando algumas coisas ao lado de uma sacola de medicamentos. Ela percebeu meu olhar e sorriu educadamente.
Voltei a encarar minha irmã.
— Ele contratou uma enfermeira para vigiar você?
— Segundo ele, ela não está me vigiando.
— E está fazendo o quê?
— Substituindo o meu bom senso.
Tapei a boca para não rir, mas não adiantou.
Sky estreitou os olhos.
— Não começa.
— Desculpa. — Tirei os sapatos perto da porta. — Mas isso foi muito coisa de Blackwood.
— Eu sei. Estou começando a achar que eles fazem um curso para aprender a mandar na vida dos outros.
Caminhei até o sofá e me sentei perto dos pés dela.
— Não gostei muito da família do Rocco.
— Qual parte?
— Quase toda.
Ela riu.
— Justo.
— Eu só não entendo como o Christian e o Rocco conseguiram sair tão legais daquela família.
Sky pensou por alguns segundos.
— Eles também têm defeito.
— Muitos.
— Muitos mesmo.
— Christian é mandão.
— Rocco é pior.
— Christian acha que dinheiro resolve tudo.
— Rocco também.
— Christian não sabe ouvir não.
Sky virou o rosto devagar para mim.
— Moon, acho que você está descrevendo o mesmo homem com aparências diferentes.
Eu ri e puxei uma das almofadas para o meu colo.
— Talvez seja problema de fabricação dos Blackwood.
A brincadeira durou pouco.
Olhei ao redor da sala e senti a ausência antes mesmo de pensar nela.
Papai não estava ali.
Não estava no hospital. Não estava esperando uma visita. Não estava em algum quarto onde poderíamos entrar no dia seguinte.
Para mim, ele estava morto.
Abaixei os olhos para a almofada e passei os dedos pela costura.
— Está estranho.
Sky não perguntou o que estava estranho.
Ela sabia.
— Eu sei.
— Eu continuo pensando que tenho que ir ao hospital.
Minha voz falhou um pouco.
— Hoje, quando estava na Blackwood, pensei que precisava passar lá depois para ver o papai. Foi automático. Aí lembrei.
Sky estendeu a mão.
Segurei.
Fiquei alguns segundos olhando para nossos dedos juntos.
— Eu não consegui me despedir dele.
— Eu também não.
— Nem agora.
Sky apertou minha mão.
O enterro tinha acontecido sem que nenhuma de nós tivesse realmente conseguido olhar para nosso pai uma última vez. Não houve um rosto para tocar, um beijo na testa ou qualquer coisa que transformasse aquilo em uma despedida de verdade.
Só um caixão.
Meu peito apertou.
— Eu era muito pequena da primeira vez.
Sky permaneceu quieta.
— Quando a mamãe morreu e o papai sofreu o acidente — continuei. — Eu lembro de algumas coisas, mas é tudo meio quebrado. Às vezes nem sei se lembro de verdade ou se lembro porque você me contou tantas vezes.
Sky afastou a manta.
— Vem aqui.
Não pensei duas vezes.
Subi no sofá e me deitei com a cabeça no colo dela, tomando cuidado para não encostar na barriga. Sky ajeitou a almofada atrás das costas e começou a passar os dedos pelo meu cabelo.
Fechei os olhos.
Por alguns segundos, voltei a ser criança.
Não a mulher que estava noiva, estudava Design e tinha passado os últimos dias tentando entender como a própria família tinha desmoronado outra vez.
Só a irmã mais nova da Sky.
— Você cuidou de mim — murmurei.
Os dedos dela continuaram deslizando pelo meu cabelo.
— Você era minha irmã.
— Você também era uma criança.
Sky não respondeu.
Abri os olhos e olhei para ela.
— Você tinha quinze anos.
Ela desviou o olhar.
— E você era menor ainda.
— Mesmo assim. Você cuidou de mim. Depois do acidente, quando a mamãe morreu e o papai... ficou daquele jeito. Você tentou fazer tudo parecer menos horrível para mim.
— Não consegui.
— Conseguiu, sim.
Os olhos dela começaram a ficar vermelhos.
— Moon...
— Obrigada.
Sky respirou fundo.
— Eu devia ter cuidado melhor de você.
— Para.
— É verdade.
— Não é.
Ela passou a mão pelo meu cabelo outra vez, mas agora seus dedos tremiam um pouco.
— Eu sinto muito por tudo que você passou por minha causa.
Levantei a cabeça.
— Por sua causa?
— Por todas as decisões que eu tomei. Pelas confusões em que me meti. Pelo Victor, pela empresa, pelo concurso, por...
— Sky.
Ela se calou.
— Você não é responsável por todas as desgraças do planeta.
— Algumas são minhas.
— Algumas são suas — concordei. — Você tem talento.
Ela soltou uma risada abafada.
Deitei novamente.
— Mas você cuidou de mim quando eu precisava. Muito. Então para de tentar transformar isso em mais uma coisa pela qual você tem que pedir desculpa.
O silêncio voltou, mas dessa vez não incomodou.
Sky continuou fazendo carinho no meu cabelo.
Foi assim que uma lembrança apareceu.
Pequena.
Confusa.
Abri os olhos.
— Eu lembrei de uma coisa.
Os dedos dela pararam.
— Do quê?
Demorei um pouco para responder.
— Do papai.
Sky ficou completamente atenta.
— O que você lembrou?
Franzi a testa, tentando segurar aquela imagem antes que desaparecesse.
— Era um jogo.
— Que jogo?
— Não sei direito. — Fechei os olhos outra vez. — Acho que era no computador dele. Ou alguma coisa que ele estava testando. Eu lembro dele sentado comigo e dizendo que eu precisava criar uma senha.
Sky se inclinou um pouco.
— Uma senha?
— É.
— Que senha?
Olhei para ela.
— Não faço a mínima ideia.
Ela ficou me encarando por dois segundos antes de rir.
— Moon!
— Eu era criança!
— Você lembra que criou uma senha e não lembra da senha?
— Quer que eu faça o quê? Volte no tempo?
Sky riu novamente, e eu acabei rindo junto.


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