POV/ SAKURA
Dessa vez, ninguém riu.
Os olhos dele encheram de lágrimas tão rápido que até eu perdi a vontade de fazer piada.
— Você tá falando sério?
— Tô.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Sky...
— Se você quiser.
Alex abaixou a cabeça por alguns segundos. Quando tornou a olhar para ela, já estava chorando.
— Eu nem sabia se você queria que eu viesse aqui.
Sky ficou séria.
— Alex...
— Eu achei que você não queria mais olhar pra minha cara.
Ele enxugou o rosto com a mão.
— E eu não ia te culpar.
Sky observou o melhor amigo por alguns segundos.
— Vem aqui.
Alex se aproximou da cama.
— Primeiro responde.
Ele riu no meio do choro.
— É claro que eu quero.
— Então pronto.
— Eu vou ser o melhor padrinho do mundo.
— Ei! — reclamei. — Eu acabei de falar que vou ser a melhor madrinha. Não rouba minha frase.
Alex nem olhou para mim.
— Problema seu.
Sky riu.
Moon também.
Por alguns segundos, aquele quarto pareceu um pouco menos pesado.
Christian permanecia mais afastado, observando os quatro. Quando Sky olhou para ele, o sorriso dela diminuiu.
— E o Rocco?
Christian passou a mão pelo rosto.
— Continua sedado e intubado.
— Eu sei.
Ele franziu a testa.
Sky respirou fundo.
— Eu fui ver ele.
Christian ficou sério.
— Quando?
— Antes do enterro. Eu consegui ir até lá, mas seu avô apareceu.
Christian fechou os olhos por um instante.
— Merda.
— Ele me expulsou.
— Sky, eu sinto muito.
— Não foi você.
— Continua sendo meu avô.
Ela apertou os dedos sobre o lençol.
— Eu só queria ficar alguns minutos com o Rocco.
Christian se aproximou da cama.
— Eu vou resolver isso.
— Como?
— Primeiro vou conversar com os médicos e ver como ele tá. Depois vou descobrir quando você pode voltar lá.
— Seu avô não vai deixar.
A mandíbula de Christian ficou tensa.
— Meu avô não decide quem pode entrar na UTI.
Sky ficou olhando para ele.
— Eu quero ver o Rocco de novo.
— E vai.
— Christian...
— Eu vou dar um jeito.
Ele beijou a testa de Moon.
— Preciso conversar com os médicos, ver o Rocco e organizar algumas coisas. Depois eu volto.
Moon segurou a mão dele antes que se afastasse.
— E você vai descansar.
— Vou.
— Prometeu.
— Eu lembro.
Christian beijou os dedos dela.
— Eu te amo.
— Também te amo.
Antes de sair, ele olhou para mim e para Alex.
— Fiquem com elas?
— Claro — respondi.
Ele saiu.

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