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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 431

POV/ CHRISTIAN

A pá bateu novamente na terra.

Voltei ao cemitério.

Moon continuava agarrada em mim.

Meu braço estava dormente.

Não importava.

Eu ficaria daquele jeito pelo tempo que ela precisasse.

Desde o incêndio, eu tinha feito coisas que nunca imaginei que faria.

Tinha conseguido retirar Otávio do circuito normal antes que sua sobrevivência se espalhasse. Usei contatos, dinheiro e, principalmente, a confusão das primeiras horas para limitar o número de pessoas que sabiam que ele tinha saído vivo daquele apartamento.

Não foi simples.

Também não foi perfeito.

E era justamente isso que me tirava o sono.

Eu não sabia se alguém tinha visto demais.

Não sabia se algum nome tinha sido anotado em algum lugar.

Não sabia se, naquele exato momento, alguém já desconfiava.

Só consegui fazer rápido.

Depois, eu mesmo levei Otávio para longe.

Não para um hospital grande.

Não para uma clínica onde Bittencourt apareceria em qualquer sistema e poderia ser encontrado com um telefonema.

Consegui uma casa discreta fora da capital.

Assistência particular.

Equipamentos básicos.

Uma enfermeira contratada para cuidar de um paciente cuja história ela não conhecia.

Ela sabia apenas o necessário: homem idoso, mobilidade severamente comprometida, recém-exposto à fumaça, precisando de observação e de atendimento médico reservado.

Eu não dei sobrenome.

Não contei de onde tinha vindo.

Não expliquei por que estava pagando para que ninguém fizesse perguntas.

Otávio estava vivo.

Fraco.

Machucado.

Mas vivo.

Antes de ir embora, entrei no quarto onde ele descansava.

Parei ao lado da cama.

— Senhor Bittencourt.

Os olhos dele se abriram.

— Eu preciso voltar pra Moon. E pra Sky.

Ele tentou mexer a cabeça.

— O senhor está seguro aqui.

Não sabia se era verdade.

Esperava que fosse.

— Quando eu voltar, a gente vai conversar. E o senhor vai me contar o que quis dizer.

Otávio me encarou.

— Tudo.

— Tudo o quê?

Os olhos dele se fecharam novamente.

— Dez anos.

Fiquei parado.

Esperei.

Ele não falou mais.

Talvez tivesse dormido.

Talvez simplesmente não tivesse forças.

E eu precisei ir embora sem resposta.

Essa era a parte que estava me enlouquecendo.

Eu não sabia quem tinha tentado matá-lo.

Não sabia se a explosão tinha sido realmente provocada.

Não sabia o que ele queria dizer com “me calar”.

Não sabia quem ele temia.

Não sabia o que havia acontecido dez anos antes além da versão que eu tinha ouvido durante a vida inteira.

E agora nem sabia se podia confiar completamente nessa versão.

Eu só sabia que Rocco estava certo em uma coisa.

Até descobrirmos, Otávio Bittencourt precisava continuar morto.

Pelo menos para o resto do mundo.

Moon se afastou alguns centímetros de mim e limpou o rosto.

— Eu queria que a Sky estivesse aqui.

— Eu sei.

— Ela vai se culpar.

— Não deixa.

Moon soltou uma risada quebrada, sem humor.

— Você conhece minha irmã.

Conhecia o suficiente.

Sky encontraria alguma maneira absurda de transformar até uma explosão em culpa própria.

Beijei a testa de Moon.

— A gente vai cuidar dela.

Moon assentiu.

— Quando isso acabar, eu quero voltar pro hospital.

— A gente vai.

— Eu não quero deixar ela sozinha hoje.

— Não vai deixar.

Ela respirou fundo e olhou novamente para a terra.

CAP. 457 - MEIA MENTIRA 1

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