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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 418

POV: SKY BITTENCOURT

Rocco nem olhou para trás. Deu meia-volta no patamar da escada e correu direto para dentro do apartamento em chamas.

No segundo em que ele passou da porta, um segundo estrondo estourou lá dentro.

O gás acumulado na cozinha pegou de vez. O fogo cuspiu alto pelo vão e o forro de gesso e os tijolos da entrada desabaram em cima da passagem, fechando tudo em pedras e chamas.

— ROCCO! PAI! — o berro rasgou a minha garganta.

Christian não esperou. Ele me travou contra o corpo dele, virou de costas e desceu os lances de escada correndo comigo esperneando, batendo as pernas no corrimão e na parede. Moon descia na nossa frente aos prantos, com as duas mãos na boca, tremendo inteira.

Saímos pela porta da frente do prédio.

O ar da rua bateu seco na minha cara. A fumaça preta saía grossa pelas janelas do segundo andar, cobrindo o céu. A rua estava um caos. Os vizinhos do outro lado do prédio tinham descido correndo para o asfalto, apontando para o fogo e gritando em desespero.

Christian tentou me segurar em pé, mas empurrei o peito dele com toda a força que me restava:

— O MEU PAI TÁ LÁ DENTRO! — gritei, a voz engasgada na fuligem. — O ROCCO VOLTOU PRA LÁ! ALGUÉM TIRA ELES DE LÁ!

O Rocco. Ele tinha entrado de novo. E se ele não conseguisse sair?

— Não... por favor... não... — as palavras saíam soltas da minha boca, em pânico.

— Sky, calma! — Moon chorava, tentando segurar os meus braços.

— Espera, Sky, por favor — Christian pediu, tentando me firmar.

— Isso não pode estar acontecendo... não pode!

Despenquei e bati as mãos fechadas no asfalto quente, uma, duas vezes, em desespero puro, sujando as palmas de cinza e rasgando a pele onde o vidro já tinha cortado.

— TIRA MEU PAI DE LÁ! TIRA O ROCCO!

Uma pontada funda fisgou o pé da minha barriga, uma cólica esquisita que me fez dobrar o tronco para a frente. Levei a mão esquerda direto para o abdômen, apertando o tecido da calça contra a pele dolorida.

No mesmo segundo, o estômago revirou numa golfada quente.

Não deu tempo de segurar. Curvei o corpo para o lado e vomitei no asfalto, um líquido azedo queimando a minha garganta que já estava em carne viva pela fumaça.

— Ajuda ela! — Moon berrou para os homens da ambulância, a voz estridente de pavor. — Ajuda a minha irmã, por favor! Ela tá passando mal!

Um dos paramédicos correu na nossa direção, largando a prancheta no chão e se abaixando do meu lado:

— Calma, moça. Respira fundo. Deita ela aqui no chão, cuidado com a cabeça!

Eu não queria deitar. Queria levantar, queria subir aquelas escadas, mas meu corpo não obedecia mais.

A cabeça parecia que ia rachar ao meio. O zumbido no meu ouvido aumentou tanto que engoliu as vozes ao redor. O sangue que descia do corte atrás da orelha escorria quente pelo meu pescoço, misturado com o suor frio da minha testa. A barriga repuxava numa dor surda e as minhas pernas ficaram moles como pano.

Meus braços cederam no asfalto. O peito subia e descia rápido, mas o ar simplesmente não entrava.

Ergui os olhos com esforço para olhar a janela do segundo andar. A fumaça preta cobria tudo. Pessoas se juntavam ao redor, virando vultos sem foco contra o sol.

Tentei puxar o ar mais uma vez, mas a vista escureceu pelas bordas, o barulho das sirenes sumiu como se estivesse afundando na água e a escuridão me puxou para baixo de vez.

***

Acordei com um barulho fino e repetitivo perto da minha cabeça.

Bip.

Bip.

Bip.

Abri os olhos, mas fechei de novo no mesmo instante.

A luz do teto estava forte demais.

Tentei engolir e senti a garganta seca, arranhando por dentro. Passei a língua pelos lábios. Também estavam secos. Meu corpo parecia pesado contra o colchão e havia uma dor forte na lateral esquerda da cabeça.

Respirei devagar.

O ar entrou pelo nariz com ajuda de alguma coisa.

Levei a mão até o rosto e meus dedos bateram em dois tubos finos.

Oxigênio.

Abri os olhos outra vez.

Demorei alguns segundos para conseguir enxergar direito.

Teto branco.

Lâmpada.

Parede branca.

Uma cortina azul.

O suporte de soro do meu lado.

Hospital.

Franzi a testa.

Por que eu estava num hospital?

Tentei virar a cabeça.

A dor veio na mesma hora.

— Ai...

Parei.

Meu ouvido esquerdo estava estranho.

Havia um chiado constante lá dentro. Quando mexi a cabeça, o som ficou ainda mais abafado, como quando entrava água no ouvido durante o banho e eu passava vários minutos tentando tirar.

Levei a mão devagar até a orelha.

Encontrei um curativo.

Passei os dedos pela gaze sem entender.

— Sky?

A voz veio do meu lado direito.

Virei os olhos.

Moon estava sentada numa poltrona ao lado da cama.

Demorei alguns segundos para reconhecer minha própria irmã.

O cabelo dela estava preso de qualquer jeito. A roupa tinha manchas escuras. Os olhos estavam inchados, muito vermelhos, e havia marcas secas de lágrimas no rosto. Ela segurava um terço azul entre as mãos.

— Moon...

Minha voz quase não saiu.

Ela deu um pulo.

O terço escapou dos dedos e caiu no chão.

— Sky?

Moon levantou tão rápido que bateu a perna na poltrona.

— Ai, meu Deus... Sky.

Ela veio para perto da cama e pegou minha mão.

Os dedos dela estavam gelados.

— Você acordou. Meu Deus... você acordou.

Olhei para ela sem entender.

— Moon...

— Que bom... que bom...

Ela começou a chorar.

Aquilo me assustou.

Tentei apoiar os cotovelos no colchão.

— Não!

Moon colocou as mãos nos meus ombros.

— Não levanta. Não, não... fica aí.

— O quê?

— Fica deitada.

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