POV/ ROCCO
Puxei o queixo dela e tomei a boca entreaberta no meio daquele choque de temperatura. Quente e frio colidindo. Sky tentou aprofundar o contato, faminta por qualquer pedaço de mim, mas segurei a base da trança dela com firmeza, ditando a cadência até ela gemer contra os meus dentes.
Voltei para trás do quadril suspenso.
Desferi mais duas palmadas pesadas. A mão aberta estalou em cima da cera quebrada e da vermelhidão antiga. O som saiu estalado e úmido por causa da pele encharcada de água. Sky soltou um grito curto no segundo golpe, e a umidade ali embaixo já não era só o gelo derretido descendo pelas coxas: era o corpo dela transbordando calor, ensopando a renda fina no meio das pernas.
Não dei trégua. Espalmei a mão pesada sobre as nádegas para espalhar o fogo da batida e desci a palma vazia até deixá-la pairando a um milímetro do tecido encharcado. O vento da minha mão agitou o ar quente, mas não encostei na carne.
Ela soltou um palavrão rouco.
Soltei uma risada baixa contra a nuca dela.
— Isso. Fica com raiva. Fica ensopada. Fica linda.
Subi os dedos pela coluna até a amarração mestre, checando a tensão das cordas, a pulsação nos punhos e a temperatura das pontas dos dedos dela. O fluxo sanguíneo continuava regular. Pousei os lábios na escápula manchada de cera, subi para a nuca e beijei o pedaço macio de pele atrás da orelha.
— Eu te amo, Sky — falei com a boca colada na carne arrepiada, como uma verdade crua. — Te amo amarrada nessa sala. Te amo na cozinha usando aquele robe aberto. Te amo rindo da calcinha na moldura. E te amo agora, pedindo pau com esse desespero lindo, achando que vai morrer se eu não entrar em você.
O cubo virou uma lasca insignificante na minha mão. Joguei o resto no balde de metal e apanhei outra pedra limpa.
— Mais uma rodada.
— Rocco, eu não vou aguentar...
— Aguenta sim — passei o gelo na nuca dela, descendo devagar pelas costas enquanto a pele arrepiava inteira ao redor das fibras de algodão. — Você aguentou o segredo do clube por semanas. Aguenta isso aqui com folga.
Sky cerrou as pálpebras com força e abriu em seguida, o olhar queimando sob as luzes vermelhas do teto. O corpo inteiro dela estremeceu quando desci a pedra fria pela curva da bunda e pela parte de trás das coxas, contornando a tira da calcinha e fazendo o calor dela evaporar a água gelada.
Continuei em pé, com o pau latejando de dor dentro da calça de moletom cinza. A ereção pesava contra a minha coxa, a mandíbula travada pela queimação bruta do tesão, e a vontade de puxar aquela renda vermelha para o lado e me enterrar nela com tudo quase venceu o meu juízo.
Quase.
Segurei o impulso no osso.
Passei a palma vazia no ar, rente à intimidade molhada. Sem toque. A ruiva jogou o quadril para trás com tudo, caçando a minha mão, mas só encontrou o vazio. O choro manhoso escapou da garganta dela, cru e despido de qualquer orgulho.
— Me fode...
— Não.
Mordi de leve a curva do pescoço dela.
— Implora mais alto. O fim de semana acabou de começar, e eu ainda nem cheguei na metade do que planejei para você.
Fui até o painel.
Não precisei procurar. O vibrador pequeno, o de ponta chata, o que ela já conhecia do clube — o que fazia a Sky perder a educação em três minutos — estava no gancho do meio. Peguei. Liguei uma vez, só para o zumbido baixo preencher a sala, e desliguei. O som sozinho fez o corpo dela dar um solavanco na corda.


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