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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 315

POV: ROCCO

Ela levou a mão ao peito, fazendo uma cara de choque absoluto.

— Eu acordo cedo, faço café, queimo a ponta dos meus dedos na frigideira...

— E quase transforma a cobertura em zona de evacuação por intoxicação de fumaça.

— ...e é essa a sua reação?

— Você esqueceu da parte em que tentou cometer homicídio culposo contra o meu estômago logo pela manhã.

Ela pegou o pano de prato da bancada e jogou direto na minha cara.

O pano acertou em cheio o meu rosto.

Tirei o tecido devagar, sentindo o cheiro de queimado impregnado nele. Olhei para o pano. Depois para ela. Depois para o prato com o carvão vegetal.

— Se você jogar outro pano em mim, Sky...

Ela ergueu uma sobrancelha, desafiadora.

— O quê? Vai fazer o quê, grandão?

Peguei outro pedaço daquela placa dura com a ponta dos dedos.

— Eu faço você mastigar isso aqui junto comigo.

Ela arregalou os olhos castanhos.

— Isso é ameaça à integridade física!

— É legítima defesa culinária.

— Seu brutamontes ingrato!

Ela começou a rir, jogando a cabeça para trás.

Mastiguei mais um pedaço microscópico da torrada apenas para provar que eu era um homem de princípios firmes. Ou de pouca sanidade mental. Ainda estava avaliando o estrago no meu estômago.

— Você tá fazendo esse banquete todo para ensaiar para quando a gente morar junto de vez?

A Sky soltou uma gargalhada alta.

— Eu? Cozinhar para você todos os dias? Nem amarrada, meu querido! Com a fortuna que você tem acumulada no banco, a gente vai contratar uma equipe inteira de alta gastronomia.

— Sensato. Apoio integralmente.

— Isso aqui hoje foi um ato exclusivo de caridade humanitária porque você deu um trabalho colossal ontem à noite.

Franzi a testa, sentindo a cabeça latejar de novo.

— Eu dei trabalho?

— Muito. Um trabalho monumental.

Cruzei os braços sobre o peito.

— Eu me lembro perfeitamente de ter mantido uma postura impecável.

Ela ficou me encarando em silêncio por três segundos. Depois começou a rir tanto que precisou apoiar a mão na bancada.

— Você? Postura impecável?

— Exatamente.

Ela deu a volta na ilha da cozinha e parou bem na minha frente, colocando as mãos na cintura com um sorriso vitorioso.

— Rocco, você me proporcionou um catálogo completo de primeiras vezes inesquecíveis ontem.

Franzi o cenho, desconfiado.

— Dei?

— Deu — ela começou a contar nos dedos, se divertindo com a minha desgraça. — Primeira vez que você tentou mijar no abajur de cristal italiano achando que era um vaso sanitário moderno com iluminação embutida.

Pisquei devagar, sentindo o sangue gelar.

— Eu tentei fazer isso?

— Tentou. E quase abriu a braguilha na sala.

— Tem certeza absoluta?

— Absoluta. Eu precisei correr e te puxar pelo cós da calça.

— Sky, eu tô falando muito sério.

— Eu também tô falando seríssima.

Ela deu um passo para a frente, subiu com cuidado no meu colo enquanto eu continuava sentado na banqueta e passou os braços ao redor do meu pescoço. O roupão curto subiu pelas coxas dela e aquele perfume doce de baunilha preencheu o espaço entre nós.

Ela me encarou de perto com uma expressão tão iluminada, tão cheia de orgulho e carinho, que parecia uma cachorrinha feliz que estaria abanando o rabo sem parar se tivesse um.

— Mas quer saber de uma coisa? — ela sussurrou, acariciando a minha nuca com as pontas dos dedos.

— O quê?

— No meio de todo aquele vexame vergonhoso, você me encheu de orgulho.

Arqueei a sobrancelha, surpreso.

— Enchi?

— Encheu — ela abriu um sorriso enorme, encostando a ponta do nariz no meu. — Você ficou lá, com a mão esticada no ar, berrando que ninguém podia encostar um dedo em você porque a sua mulher era perigosa, ciumenta e ia arrancar a sua cabeça fora. Ficou defendendo a sua fidelidade contra mim mesma achando que eu era uma mulher tentando tirar a sua roupa.

Soltei um suspiro longo, relaxando os ombros e passando os braços ao redor da cintura dela para mantê-la firme no meu colo.

— Eu tenho instinto de sobrevivência. Eu sei o perigo que você representa brava.

— É bom mesmo saber — ela riu baixinho, deixando um beijo estalado na minha bochecha. — Você é um idiota, mas é o meu homem fiel.

Olhei por cima do ombro dela para o prato na bancada. Aquelas duas fatias de torrada pareciam duas pedras de carvão mineral prontas para abastecer uma caldeira.

Com cuidado, estiquei o braço livre até a fruteira de inox no canto da pia, peguei uma banana madura e puxei a casca com os dentes e uma mão só.

— O que você tá fazendo? — a Sky perguntou, me olhando com a sobrancelha erguida.

— Salvando a minha vida — respondi, dando uma mordida generosa na fruta. — Porque se eu der mais uma mordida naquele fóssil que você chama de torrada, o meu estômago vai entrar em greve definitiva.

A Sky olhou para a banana na minha mão, olhou para o prato queimado na bancada e soltou uma gargalhada gostosa, enterrando o rosto no meu ombro.

— Seu chato.

— Homem prático — corrigi, mastigando a fruta doce e sentindo o corpo recuperar um pouco da energia.

Fiquei ali com a Sky aninhada no meu peito, a cozinha cheirando a fumaça e a minha cabeça latejando com o resto da ressaca. Mas, olhando para a mulher sentada no meu colo rindo das minhas desgraças, cheguei a uma conclusão muito simples: a minha vida tinha virado um completo caos depois que ela entrou nela, e eu não trocaria essa bagunça por absolutamente nada no mundo.

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