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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 298

POV/ SKY

A voz saiu tão baixa que quase não reconheci.

Rocco não fez piada.

Não tentou me interromper.

Não veio com nenhuma solução milionária, nenhum advogado, nenhum plano mirabolante.

Apenas ficou me olhando.

— De quê?

Engoli em seco.

— De gostar tanto de você.

Ele ficou completamente imóvel.

— Porque, se eu não gostasse... — minha voz falhou. — Se eu não estivesse apaixonada por você desse jeito ridículo, eu podia simplesmente mandar você ir para o inferno, mandar a Jussara ir para o inferno, mandar o seu avô, a sua família, as empresas, as ações e todo o resto para a puta que pariu e ir embora.

Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.

— Mas eu gosto.

Outra lágrima.

— Eu amo você.

Minha boca tremeu.

— E eu quero ficar.

Olhei para ele.

— Só não faço a menor ideia de como fazer isso sem destruir a vida de alguém no processo.

Rocco não respondeu imediatamente.

Eu não estava pensando em fugir.

Eu só estava ali.

Esperando.

Com a minha aliança brilhando no dedo, o coração completamente entregue e a sensação muito clara de que a minha cabeça ainda estava prestes a explodir como uma panela de pressão sem válvula.

Talvez amar alguém fosse justamente aquilo.

Não era só o beijo.

Não era só o sexo.

Não era só acordar usando a camiseta dele, encontrar o rosto dele no travesseiro ou descobrir que a bunda daquele homem tinha sido criada especificamente para acabar com a minha capacidade de raciocínio.

Não era só o fato do pau dele ser coisa mais gostosa que já senti na vida.

E que os lábios dele tem o melhor gosto do mundo.

Era isso também.

Era descobrir que a vida da pessoa que você amava vinha com um pacote completo de problemas que você jamais teria escolhido comprar.

E, mesmo assim, olhar para aquele pacote e pensar:

Eu quero.

Eu queria o Rocco.

Queria a vida com ele.

Queria o nome.

Queria o sobrenome.

Queria os domingos, as brigas, as reconciliações, as viagens, os cafés da manhã, os filhos que talvez um dia existissem, os cabelos brancos e até as discussões sobre quem tinha deixado a toalha molhada em cima da cama.

Queria tudo.

Só não queria a Jussara.

Aí também já era pedir demais da minha parte.

Respirei fundo.

— Tá.

Rocco piscou.

— Tá o quê?

Olhei para ele.

— Eu não vou fugir.

Os olhos verdes dele mudaram na mesma hora.

Mas levantei um dedo antes que ele pudesse comemorar.

— Ainda.

Ele fechou os olhos.

— Sky...

— Eu estou sendo sincera! Não posso prometer coisas que eu não sei se consigo cumprir. Minha estabilidade emocional acabou de ser atropelada por uma carreta que passou por cima de novo para garantir que não sobraria quase nada.

Rocco quase sorriu.

— Eu só quero você.

Meu coração apertou.

Droga.

Ele não podia falar essas coisas quando eu estava tentando manter algum neurônio funcionando.

— Não facilita — murmurei.

— Eu não estou tentando facilitar.

— Pois devia.

Ele deu um passo na minha direção.

Dessa vez, eu não recuei.

Olhei para ele.

— E o que mais você falou de mim para ela? — perguntei, inclinando um pouco o corpo para a frente.

— Falei que não quero saber dela, que não é para ela encostar em mim e que amo só você. Que só você importa para mim.

Apertei os lábios, sentindo o rosto esquentar.

— Nossa... isso é tão lindo.

O Rocco começou a andar na minha direção, dando um passo lento.

Mas, no meio do caminho, simplesmente travou.

Parou.

Fiquei encarando ele.

— Por que você parou?

— Não sei... Achei que você ia mandar eu parar.

— Mas eu não mandei você parar.

Ele terminou de encurtar a distância entre nós e parou bem na minha frente.

Estiquei os braços e espalmei as mãos no pescoço dele, sentindo o calor da pele do meu homem.

— Tô tentando agir como uma pessoa madura aqui — avisei, encarando aqueles olhos verdes perfeitos. — Mas é bem provável que eu vá relembrar essa história da Jussara e jogar na sua cara nos próximos oitenta anos..

— Oitenta anos? — O Rocco soltou um riso abafado, segurando a minha cintura. — Se você quiser, eu deixo você jogar na minha cara pelo resto da vida. Eu faço qualquer coisa que você quiser. Ou melhor não precisa, porque eu não ligo para nada. Só você.

— Você até deixa o seu avô morrer? — perguntei no impulso.

O Rocco ficou sério no mesmo segundo.

A intensidade daquele olhar me arrepiou até a alma.

— Deixo o meu avô morrer. Eu não vou fazer o que ele quer porque a vida é minha. Eu mando em mim, tô apaixonado por você e quero ficar com você. Se o velho passar mal por causa de uma decisão minha, problema dele. Entre todas as pessoas do mundo e todas as possibilidades, só existe a certa, e ela é você, Sky.

Ele fez uma pequena pausa, baixando um pouco a voz.

— Só não quero que isso afete o meu irmão, claro. Mas, se o Ravi ficar triste pela morte do vovô, o que é que eu posso fazer? Eu queria que ele tivesse uma estabilidade, uma família de verdade.

— Mas eu posso ser a família dele! — interrompi na hora, a voz falhando enquanto sentia o meu peito prensar com força. — Eu posso ser tipo a irmã mais velha dele!

Parei.

Arregalei os olhos, congelando no lugar.

Meu Deus do céu.

Um calor absurdo e repentino subiu pelo meu pescoço, queimando o meu rosto de uma vez só. O meu estômago deu um nó violento, uma onda de náusea subindo em cheio e me fazendo tontear.

O meu coração começou a espancar as minhas costelas num ritmo descontrolado, enquanto um arrepio gelado percorria meus braços e pernas, levantando cada pingo de pelo do meu corpo.

Eu tinha acabado de falar que deixaria o avô do cara morrer e ainda me oferecido para ser irmã do garoto?!

Que tipo de monstro eu era?

Eu já era uma péssima irmã mais velha para a Mon, vivendo no caos e dando maus exemplos. E agora eu me candidatava para estragar a vida de mais um garoto?! Além de uma péssima irmã, eu era uma pessoa completamente horrível!

O ar sumiu dos meus pulmões de um jeito seco, me sufocando. Um nó gigante e doloroso travou a minha garganta, me impedindo até de engolir a saliva. Comecei a tremer inteira, o choro vindo em soluços pesados, feios e desesperados, daqueles que fazem o peito doer e a cabeça estourar. Eu chorava tanto que a minha vista embaçou inteira e o meu corpo balançava, sem que eu conseguisse puxar o ar para respirar direito.

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