POV/ SKY
Abanei a mão no ar, como se pudesse apagar a frase que tinha acabado de sair da minha boca e, de preferência, voltar uns trinta segundos no tempo.
— Com todo o respeito, claro! É só porque o homem é bonito e tal...
Meu Deus.
Que burra.
Como é que eu chamava outro homem de gostoso na frente do meu próprio homem no meio de uma conversa sobre doença, morte, trauma familiar e uma mulher que ele tinha beijado?
Qual era o meu problema?
Eu tinha algum tipo de compulsão por escolher exatamente o pior momento possível para falar a coisa mais inconveniente disponível?
Ajeitei a postura rapidamente, tentando recuperar o mínimo de dignidade que ainda restava.
— Bom, mas o assunto aqui é você, não sou eu, né? Pode continuar.
Rocco soltou um suspiro pesado e balançou a cabeça.
— Você acabou de chamar outro homem de gostoso.
— Eu estava emocionalmente abalada!
— Isso não explica.
— Explica tudo!
— Como?
— Não sei! Mas explica!
Ele continuou me olhando.
Eu continuei olhando para ele.
— Ele realmente parece o Dwayne Johnson — acrescentei baixinho.
— Sky.
— Tá bom! Parei!
A seriedade voltou ao rosto dele logo em seguida.
Ele baixou o olhar por um segundo, e o corpo ficou rígido de novo.
Foi quando eu percebi que a brincadeira tinha acabado.
— A terceira coisa... — ele começou.
A minha respiração travou no topo do peito.
Meu corpo inteiro pareceu entender antes da minha cabeça.
Um calafrio violento desceu pela minha espinha.
A náusea voltou com uma força avassaladora, fazendo o meu estômago dar uma volta completa. Senti uma vontade absurda de correr para o banheiro e vomitar.
Não.
Não, não, não.
A terceira.
A terceira coisa.
Eu estava ali, sentada no sofá só de camiseta, sem nada por baixo, depois de ter vivido momentos maravilhosos e um sexo perfeito com ele.
Eu deveria estar flutuando de felicidade.
Deveria estar olhando para a aliança no meu dedo e pensando que, finalmente, depois de tanta merda, eu e Rocco tínhamos conseguido chegar a algum lugar.
Mas não.
Eu estava ali, com o coração na garganta, esperando a próxima bomba cair.
E, pelo jeito que ele tinha mudado de expressão, aquela não era uma bomba qualquer.
A terceira e última coisa que ele tinha para me contar com certeza tinha a ver com a tal da Jussara.
O meu estômago embrulhou só de pensar.
Porque se a mulher não estava grávida...
E se eles não tinham ido para a cama...
Então o que diabos podia ser?
Se não era nada disso, significava que a verdade era ainda pior.
E, sinceramente?
Depois de tudo o que eu já tinha descoberto naquela manhã, eu não fazia a menor ideia de que tipo de notícia poderia ser pior do que uma mulher grávida.
Mas conhecendo a minha sorte, Rocco provavelmente tinha acabado de descobrir uma categoria inédita de desgraça.
E eu estava prestes a conhecer.
Levei as duas mãos aos ouvidos no mesmo segundo e fechei os olhos com força, apertando a cabeça.
O Rocco se aproximou e deu duas batidinhas leves nas minhas mãos.
— Sky, você tá tampando o ouvido.
— Ah, eu sei! — gritei por cima do som abafado dos meus próprios dedos. — Sei muito bem, porque eu não quero ouvir! Tenho certeza absoluta de que tem a ver com aquela mulher!
Ele segurou meus pulsos com firmeza, puxando minhas mãos para longe da minha cabeça e prendendo meus dedos entre os dele.
— Sky, olha para mim — pediu, a voz baixa e carregada. — Eu te amo. Eu te amo e você é a coisa mais importante do mundo para mim. O que você falar para eu fazer, eu faço, tá bom? Só não surta. Não foge de mim, por favor.
Pisquei rápido, encarando ele.
— Você trancou a porta?
Ele piscou, pego de surpresa.
— Não.
— Então tranca a porta! — ordenei, a voz subindo dois tons. — Porque eu sou capaz de sair correndo no meio da rua vestida desse jeito!
O Rocco desceu os olhos pelo meu corpo, avaliando a camiseta gigante dele que mal cobria minhas coxas.
— Não. Você não vai a lugar nenhum vestida desse jeito.
— Então tranca a porra da porta!
Ele soltou minhas mãos, levantou da cama, foi até a porta de entrada, girou a chave e guardou o metal no bolso da calça.
Ele fechou os olhos por um segundo.
— Sky...
— Meu Deus do céu... — levei as mãos à cabeça. — Primos não podem transar, né?
Ele arregalou os olhos.
— A gente não é primo de verdade, Sky! É só de consideração! E a gente não transou!
— Droga!!! — apontei para ele, andando para trás. — Mas você percebe como essa frase fica cada vez pior quando você explica?!
— Como é que fica pior?!
— Primeiro você está falando de uma mulher que já você beijou você e eu vi.. Esqueceu?
— Ela me beijou!
— ISSO NÃO FAZ A MENOR DIFERENÇA.— Esbraviei sem nem perceber, puxei a respiração e voltei a falar mais calma. — Desculpa depois eu descobri que ela é importante para a sua família.
— Porque nossas famílias se conhecem!
— Agora vocês são primos!
— De consideração!
— Rocco, eu não quero saber o tipo de primo que vocês são!
Ele abriu a boca.
Fechou.
Respirou fundo.
Eu vi claramente o homem lutando pela própria sanidade.
— Sky, por favor. Me deixa terminar uma frase.
— Eu estou tentando!
— Não parece.
— É porque você está contando uma história muito difícil de ouvir!
Passei as mãos pelo rosto.
Eu não estava gostando daquilo.
Não estava gostando nem um pouco.
— Ai, meu Deus... eu acho que não tô gostando nada disso. Acho que preciso ir embora. Que tal a gente terminar essa conversa semana que vem? Ou mês que vem? Ano que vem?
Ele só ficou me olhando sem dizer nada.
— Na próxima vida?? — Ainda tive a coragem de perguntar.
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Será que ele consegue terminar de explicar??
Alguém ai está nervosa já?
Eu autora estava rindo de nervoso nessa parte, quase chorando..

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