Entrar Via

A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 97

"Lorena"

O peso do olhar da Adelaide sobre mim durante o almoço foi quase insuportável, o ódio dela estava declarado, o que me deu a certeza de que o Érick tinha repetido o discurso da escola ou algo assim. Eu só conseguia pensar que os meus dias nesta casa seriam mais difíceis do que foram até agora. Por isso, assim que o Érick informou que ia para a empresa, eu passei o restante do dia evitando a Adelaide, mudando o meu percurso com a Alice pela casa sempre que avistava a governanta.

Sinceramente, eu tive vontade de ir visitar a mãe do Érick de novo, eu me sentia tão bem na casa dela, mas isso não seria educado. Talvez eu devesse pedir ao Érick autorização para sair com a Alice quando ela tivesse as tardes livres, nós poderíamos ir ao cinema ou dar um passeio agradável em um parque.

- Lolô, por que você está tão séria? - A Alice perguntou enquanto fazia o lanche da tarde no balcão da cozinha. - Você está preocupada. É porque eu falei na frente do Tio Beto sobre os chocolates?

- Tio Beto? - Eu a encarei sem compreender do que ela falava. Quem diabos era "Tio Beto"?

- Sim, Lolô, o tio que me leva para a escola. - Ela explicou e eu sorri, eu não tinha idéia de que ela chamava o motorista de "tio" e a história dos chocolates tinha fugido completamente da minha mente. - Não fica preocupada, ele é muito legal. - Ela olhou de um lado para o outro e baixou a voz para um sussurro. - Ele sempre me dá chocolate escondido da Sra. Adelaide.

- Ah! Olha! E eu preocupada que ele fosse me entregar para o bicho-papão! - Eu sorri para a Alice, que me retribuiu com a sua risadinha de criança levada.

- Eu estou muito feliz, Lolô! Você vai ficar comigo e com o papai para sempre! - A minha menina estava exultante, cheia de sorrisinhos e me enchendo de beijos.

- Ah, minha menina! Você nem imagina o quanto eu te amo! - Eu me derreti nos seus bracinhos e senti todo o afeto genuíno que ela me dava sem impor condições ou julgamentos.

Porém, mesmo com a felicidade inocente da Alice, eu sentia o olhar opressor da Adelaide me seguindo pela casa e tentava me manter o mais longe possível dela. E eu consegui isso, até o jantar.

O jantar foi mais um exercício de controle dos meus nervos, sob o olhar cortante da Adelaide e o silêncio carregado do Érick que me observava como se eu tivesse cometido um erro grave. Talvez o motorista não fosse tão bonzinho e tivesse contado dos chocolates. Fosse o que fosse, a tensão nos ombros dele, o seu silêncio e o maxilar travado apenas me diziam que era melhor que eu me mantivesse em silêncio.

- Pequena, você está muito sorridente. - O Érick comentou, a seriedade não derreteu nem com a filha. - Ao contrário da sua Lolô, que parece muito chateada.

- Ela agora é a nossa Lolô, papai. Você disse! - A Alice corrigiu o pai e eu me afundei na cadeira.

- Sim, ela é nossa. E já que é nossa, você não acha que ela deveria sentar um pouco mais perto de mim também? - O Érick falou para a filha, mas seus olhos estavam atentos a cada reação minha.

- Mudança de cadeiras, papai? Como outro dia? - A Alice perguntou animada.

- Sim. Mas agora definitivo. Acho que a nossa Lolô poderia passar a se sentar aqui, a minha direita, em frente a você. O que você acha? - Ele sugeriu.

- Hum, mas e se eu quiser me sentar perto da Lolô? - A Alice perguntou e o pai suspirou.

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite