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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 65

"Lorena"

O trajeto até a vila pareceu uma eternidade. No banco de trás do taxi, eu sentia o fantasma da Scarlat sentado ao meu lado, como uma sombra. Aquela personagem criada para mim na boate estava se tornando o meu próprio inferno e o bilhete que enviei ao Érick devolvendo o dinheiro na tentativa de "matar" aquela versão de mim parecia não ter surtido o efeito que eu esperava. Eu estava aprendendo uma lição bem dura: sombras não morrem tão fácil.

Eu subi as escadas para o segundo andar da vila correndo e quando entrei na casa da Dalva estava com os pulmões queimando. A casa da Dalva cheirava a café fresco e aconchego, algo que eu só senti na Mansão Albelini na tarde de domingo, quando éramos apenas nós três na grama do jardim. A Marcelina já estava lá, andando de um lado para o outro com aquela energia caótica de quem vivia se equilibrando na vida.

- Só você, Lorena! - Essa foi a saudação da Marcelina assim que eu fechei a porta. - Cheia de dívidas e devolver aquele dinheiro que nem faz falta para o Sr. Albelini. - Ela me abraçou e começou a rir. - O Barão quase teve um infarto quando entregou o envelope para o Érick. Ele disse que o homem parecia um vulcão prestes a entrar em erupção.

- Eu nunca aceitaria aquele dinheiro, Lina. Seria como se ele estivesse me pagando pelo... ah, vocês sabem. - Eu respondi, dei um beijo na Dalva e me sentei à mesa com as mãos trêmulas.

- Mas não é o dinheiro que está te deixando nervosa assim. - A Dalva colocou uma caneca de café na minha frente e suspirou, o olhar materno carregado de preocupação.

- Não, Dalvinha, não é. O dinheiro é assunto resolvido. Eu acho, pelo menos. O problema é que a Scarlat não é. O Érick não virou a página e eu não sei o que fazer. - Eu contei para a Dalva e a Marcelina tudo o que tinha acontecido na mansão e o meu desespero com a situação que eu mesma havia criado. - Agora eu não sei o que eu faço, se eu conto para ele ou se... ai, eu não seeeiii... - Eu choraminguei e a Dalva colocou a mão sobre a minha.

- Lorena, minha filha, o problema é que homens como o Sr. Albelini não aceitam ser rejeitados. Nem por mulheres como a Lorena, tampouco por mulheres como a Scarlat.

- Exatamente! - A Marcelina chamou a minha atenção, os olhos brilhando. - Ele ficou obcecado pela Scarlat porque ela o desafiou, o instigou, não se curvou a ele. E se você quer que ele esqueça a Scarlat, precisa dar a ele o que ele buscava nela. Escuta o que eu vou te dizer: esse homem está apaixonado pela "doçura" da babá, mas ele é viciado no desafio da capetinha. Se você quer que a babá vença essa guerra, precisa ser mais... desinibida.

Arregalei os olhos.

- Lina, eu sou a babá da filha dele! E a Scarlat... ela me dá coragem para ser "desinibida" porque ela se esconde atrás da peruca e da maquiagem. E quando isso começou eu ainda estava fervendo de raiva do Carlos Eduardo e queria punir todos os homens que atravessassem o meu caminho. - Eu confessei choramingando.

- Mas você não contava se apaixonar por ele, não é mesmo? - A Dalva me encarou.

Capítulo 65: Os conselhos das amigas 1

Capítulo 65: Os conselhos das amigas 2

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