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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 64

"Lorena"

O Érick fechou e trancou a porta atrás de mim e me prendeu contra ela. Sua boca capturou a minha num beijo que não pediu permissão, nem passagem, simplesmente abriu caminho e pegou o que queria. Era impossível resistir a ele e eu nem queria. Eu queria que ele me quisesse tanto a ponto de nem se lembrar da existência da Scarlat. Mas isso não ia acontecer com um beijo atrás da porta, por melhor que ele fosse.

- Eu quero te jogar naquela cama e arrancar esse vestido... mas eu não tenho o tempo que eu gostaria agora. - Ele falou afastando os lábios dos meus o mínimo necessário.

- Érick... - Eu coloquei a mão no peito dele para que ele prestasse atenção. Eu tentei manter a voz firme, fingindo uma calma que não passava da superfície. - Eu adoraria continuar também, mas pelo que eu entendi você precisa ir para o escritório e... eu quero pedir permissão para sair. Meu advogado ligou. Faço como aquele dia, vou falar com ele e depois pego a Alice na escola.

Ele se afastou apenas o suficiente para me encarar. Aqueles olhos azuis, que pareciam ler a minha alma, se estreitaram por um segundo. Meu estômago revirou.

- O advogado? - Ele repetiu, a possessividade brilhando de leve. - Eu poderia ter enviado todo o corpo jurídico da empresa para resolver isso para você, Lorena. Você sabe que não precisa lidar com esse lixo sozinha. Não mais. Pagar essas dívidas para mim não é nada.

- Eu sei, meu amor. Mas eu não quero que você faça isso. Eu quero lidar com isso do meu jeito. - Eu pedi, ainda abraçada a ele e ele respirou fundo.

- Você já sabe como conseguir o que quer de mim, não sabe? É só usar essa voz doce para me chamar de "meu amor". - Ele sorriu pra mim como se tivesse ganhado o mundo. - Deixa eu tirar esse peso das suas costas, Lô, por favor?

- Não! E eu não vou mudar de idéia. Aliás, diz para o seu advogado parar de cobrar favores.

- Você já sabe. - Ele riu. - Ele não vai parar. Eu não vou permitir que você seja denunciada por um crime que não cometeu. Aliás, eu nem sei porque estamos discutindo isso. Você pode ir ver esse tal advogado, mas pode dispensá-lo. Eu vou mandar a minha equipe resolver tudo e pagar essas dívidas. - Ele falou com aquele jeito autoritário de quem estava acostumado a comandar tudo.

- Não! - A minha resposta saiu mais alta do que eu queria e ele me encarou sério.

- Vamos lá. Por que não, Lorena? - O humor tinha sumido do rosto dele, havia só a seriedade do homem de negócios.

- Porque eu não quero que você, ou qualquer outra pessoa, pense que eu estou me aproveitando de você. Eu não quero ser uma transação comercial para você. - Eu soltei de uma vez, olhando nos olhos dele e ele soltou uma respiração pesada.

- Está bem. Eu respeito isso. Eu não vou pagar as dívidas, mas o meu advogado vai continuar cobrando favores. Não negocio isso. - Ele me encarou com total seriedade.

- Meu advogado não gosta disso e eu confio nele. Érick, o Dr. Mariano aceitou pegar o meu caso quando eu não tinha nem um centavo para pagá-lo. E ele é um ótimo advogado. Eu não vou ser ingrata. - Eu estava sendo sincera, eu gostava do meu advogado e confiava nele.

Ele relaxou o semblante, depositando um beijo casto na minha testa.

- Tudo bem, Lô. Agora eu entendo as suas razões. Vou falar para o meu advogado procurar o seu, eles podem unir forças. - Eu tentei protestar mas ele colocou um dedo na minha boca. - Nem adianta. É toda a concessão que eu vou fazer. Agora vem cá, depois de me dar um beijo você pode ir.

Capítulo 64: "No sigilo" 1

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