"Julian"
Nos últimos dias eu me sentia andando sobre um campo minado. A D. Heloísa tinha segredos, me fez guardar um segredo, o Érick estava tenso e eu tinha a estranha sensação de que a Lorena ainda não tinha me contado tudo. E ao entrar na sala do Érick eu fiquei ainda mais tenso, ele não estava apenas com raiva, ele estava em modo de extermínio. E quando ele ficava assim, ele não parava até destruir tudo o que o incomodava.
- O Conselho está investigando, Julian. - O Érick disparou antes mesmo que eu fechasse a porta. Ele estava de pé, encarando a cidade através do vidro, as mãos nos bolsos, a postura rígida. - O Simão jogou na minha cara que as dívidas da Lorena foram liquidadas por uma fonte externa. Como eles descobriram algo que deveria estar enterrado em sete camadas de sigilo bancário?
- Eles estão cavando fundo, Érick. Mas isso não deveria ser surpresa para você. - Eu caminhei até ele. - Érick, são lobos, não vão ficar sentados esperando. E para a sorte deles, a Verônica Albuquerque não está apenas falida, ela está vingativa. Ela deve ter acionado todos os contatos que tem.
- Não é só a Verônica. - O Érick se virou, os olhos brilhando com uma fúria gélida. - Alguém dentro da minha casa está alimentando o Simão. Alguém que viu, ouviu ou sentiu a nossa movimentação. Isso não é apenas fofoca de corredor, Julian. É traição. E você sabe o que eu faço com traidores.
- Você tem alguns funcionários lá.
- É, mas uma em especial não suporta a Lorena.
- Sei bem. Mas por menos simpática que seja, ela sempre foi fiel aos Albelini.
- É aí que está, a Lorena ainda não é oficialmente uma Albelini.
Antes que eu pudesse responder, a porta abriu com um estrondo controlado. O Andrey entrou, o rosto com aquela expressão de tédio perigoso que ele usava antes de destruir a vida de alguém.
- As notícias correm rápido. - O Andrey comentou, jogando um tablet sobre a mesa. - Terminei o serviço, Érick. Comprei cada centavo de dívida que os Albuquerque tinham. Bancos, agiotas, até o cheque especial da Verônica. Eles não são mais donos nem do ar que respiram. Agora, eles devem a uma das nossas holdings de fachada.
Érick deu um sorriso sombrio, o primeiro do dia, pelço menos pra mim.
- Ótimo! Ligue para o Albuquerque agora, Andrey. Diga a ele que o café da manhã deles amanhã depende da minha boa vontade. E avise que, se ele não colocar uma focinheira na cachorra da mulher dele, eu vou cobrar a dívida em sangue, não em dinheiro.
O Andrey assentiu, sem discutir, ele conhecia o Érick tão bem quanto eu e sabia que ele não estava brincando. Mas o Andrey estava se divertindo, já discando o número com um prazer quase sádico.
- O que você quer a essa hora, Andrey? - A voz do Albuquerque soou no viva-voz e ele conseguia estar mais irritado que o Érick.
- Albuquerque, queridão! Se eu soubesse que você ficaria tão feliz em falar comigo, eu teria ligado antes. - O Andrey deu uma risada.
- Ele sabe ser um chato. - O Érick murmurou com um meio sorriso.
- O que você quer, Andrey? - A voz do Albuquerque era ruidosa, carregada de irritação.
- Só liguei para dar os parabéns, velho amigo. - O Andrey se sentou em uma das cadeiras em frente a mesa do Érick. - Acabei de adquirir alguns colecionáveis raros. Notas promissórias, hipotecas de imóveis... ah, e descobri que até o seu clube de golfe agora pertence a uma holding que eu administro, olha que coincidência! Basicamente, eu sou o dono do seu café da manhã e do papel higiênico que você vai usar daqui a pouco para limpar o rabo. - O Andrey comentou como se realmente estivesse dando para o Albuiquerque a solução para todos os seus problemas.


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