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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 106

"Lorena"

O Érick abriu a porta com uma expressão de poucos amigos, mas quem estava do outro lado não parecia nem um pouco intimidado. O Julian e o Andrey entraram como se fossem donos do lugar, discutindo entre si e carregando caixas de pizza e um fardo de cerveja gelada.

- Albelini! Não adiante tentar se livrar de nós para virar virar um ermitão. Nós trouxemos o jantar! - O Julian gritou, mas parou subitamente no meio do hall ao me ver atrás de Érick.

O silêncio que se seguiu foi constrangedor. O Andrey, que estava rindo de alguma piada do Julian, travou. Seus olhos percorreram meu rosto e minhas roupas com uma curiosidade afiada. Eu me encolhi levemente sob o braço protetor do Érick, sentindo aquele calafrio familiar.

- Ora, ora... - O Julian foi o primeiro a se recuperar, com um sorriso malicioso de orelha a orelha. - Então o motivo da reclusão é mais... interessante do que eu imaginei. Boa noite, Lolô. Você está... doméstica hoje.

- O que vocês estão fazendo aqui? - O Érick rosnou, a sua mão apertou minha cintura de um jeito que dizia que ele não ia me esconder.

- Nós pensamos em vir salvar a sua noite de sexta, já que a nossa diversão favorita está proibida por uns tempos. - O Andrey respondeu, com a voz enigmática. - Como você sabe, estamos proibidos de ir à boate, e o Julian achou que pizza e a sua cara feia seriam um bom substituto. Eu discordei, mas agora que eu vejo o motivo de você ter se escondido, talvez eu concorde com o Julian.

Meu coração parou por um segundo ao ouvir a menção a boate. O Julian deu um suspiro dramático enquanto encarava o Andrey.

- Idiota, por sua causa eu não posso ir ver a minha capetinha. Eu estou irritado com você e só não quebrei a sua cara porque você já está com um olho roxo e eu não bato em fracos indefesos. - O Julian respondeu.

- Sua capetinha? - Quando eu me dei conta, eu já tinha perguntado e o Julian me olhou como se estivesse arrasado.

- Pois é, Lô. Um caso de amor platônico. Ela não me dá a menor chance, mas eu pelo menos podia ir até o lugar onde ela trabalha e conversar com ela. Mas graças ao idiota aqui que arrumou uma briga no lugar, eu não posso ver a minha musa inspiradora. - O Julian me respondeu todo chateado.

- Musa inspiradora? - Eu o olhei sem acreditar. Será que ele estava falando da Marcelina?

- O quê, você não está acreditando que eu também posso amar? Acha que só o seu patrão... - O Julian olhou para o Érick e se corrigiu com um piscar de olhos. - Quer dizer, o seu homem aí, você acha que ele é o único capaz de gestos românticos?

- Gestos românticos, Julian? - O Érick bufou, me puxando mais para perto. - O seu conceito de romance é levar pizza de calabresa para a casa de um homem que você sabe que queria ficar sozinho? Fora daqui. Os dois. Agora.

- Ficar sozinho, Albelini? Você é um grande cara de pau! Nós, como seus melhores amigos, justamente viemos te fazer companhia porque pensamos qeu você estivesse nadando nas próprias lágrimas de tristeza e saudade da Lolô. Mas aí, olha o que a gente encontra! Não é a sua folga, Lolô?

- Ela está de folga! Agora, fora! - O Érick rosnou para o amigos.

Ele estava pronto para arremessar os amigos para fora e fechar a porta, mas eu coloquei a mão sobre o seu braço e o impedi. O Érick me olhou surpreso, e eu vi o Julian erguer uma sobrancelha, desafiador.

- Nada disso, Albelini! - Eu disse, com um sorriso que fez o Julian vibrar e o Andrey estreitar os olhos. - Eles trouxeram pizza e cerveja. Nós temos uma omelete queimada. Não sei você, mas eu estou morrendo de fome depois dos exercícios aeróbicos desta tarde. Queijo derretido sobre massa e um tempo com os seus amigos parece bom pra mim.

O Julian soltou uma comemoração ruidosa e já foi entrando em direção à cozinha como se morasse ali. O Andrey passou por nós com um aceno de cabeça polido.

Capítulo 106: A Invasão dos bárbaros 1

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