— Tenho uma apresentação no próximo fim de semana. Você tem tempo para ir? Vou reservar um ingresso para você. — Perguntou Zenobia suavemente após sair do carro, sem pressa de ir embora.
— Hum. — Jefferson concordou levemente.
— Então, até a semana que vem. — Zenobia sorriu e acenou para ele.
Jefferson segurou o volante e arrancou com o carro.
O veículo seguia pela estrada larga.
No retrovisor, a figura de Zenobia ficava cada vez menor, até desaparecer.
O celular no banco do passageiro tocou de repente.
Jefferson segurava o volante com uma mão e, com a outra, atendeu a chamada.
Do outro lado da linha, a voz grave de seu pai, Fábio Ortega.
— A troca recente do diretor da Reintegração e Justiça Prisional tem algo a ver com você? Jefferson, até onde vão seus braços? O que você está planejando?!
Jefferson não respondeu diretamente à pergunta de Fábio.
Sorriu levemente e respondeu:
— O senhor está bem informado.
Fábio era um homem de negócios.
E para um homem de negócios, informação era o mais importante.
— Pare de gracinha comigo. Se seu avô e seu tio souberem que você está fazendo esses movimentos pelas costas, vão te dar uma surra. — Fábio repreendeu o filho, sem muita raiva.
Fábio e o tio de Jefferson eram militares.
Fábio já havia se aposentado e agora morava no prédio dos generais.
O tio de Jefferson ainda estava na ativa, ocupando um alto cargo.
Talvez por serem militares de longa data, tinham ossos duros.
O que Fábio mais detestava era ver filhos e netos abusando de poder.
— Se o senhor não falar, eles não vão saber. — Disse Jefferson, girando o volante, com indiferença.
— Moleque, querendo calar minha boca. — Fábio adorava esse filho e não conseguia ser duro.
— Sua mãe volta ao país no fim de semana. Você não tem missão no quartel, venha jantar com a gente em casa.
— Está bem. — Jefferson respondeu brevemente, pois ainda estava dirigindo, e encerrou a chamada.

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