Renata abaixou os olhos, encolhendo levemente as pontas dos dedos: "Eu apenas... não queria causar problemas para os outros."
"Você nunca foi um problema." O tom de Sófia soou muito suave, mas extraordinariamente sério: "Renata, você precisa se lembrar disso, não importa se você se lembra ou não, você nunca foi um fardo para ninguém."
Aquelas palavras tocaram suavemente no lugar mais vulnerável do coração de Renata.
Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo, e na sala de estar havia apenas o som do relógio de parede, tique-taque, lento e claro.
Finalmente, ela levantou a cabeça, com um traço de confusão, um traço de vulnerabilidade e um traço de apreensão que nem ela mesma havia percebido no fundo dos olhos, e perguntou em voz baixa: "Sófia, você poderia me dizer... que tipo de pessoa eu era antes?"
Sófia ficou levemente surpresa.
"Eu não me lembro de nada." A voz de Renata ficou ainda mais baixa, como se falasse consigo mesma. "Eu não sei do que gostava, do que odiava, não sei se o meu temperamento era bom, não sei se eu era importante ou supérflua para as outras pessoas."
Ela fez uma pausa, os cílios tremendo levemente, e finalmente fez a pergunta que estava reprimida em seu coração há muito tempo: "O que exatamente aconteceu entre mim e o Daniel... no passado?"
Por que o olhar dele para ela sempre era tão profundo, tão doloroso, tão complexo?
Por que ele pôde, por ela, expulsar Gabriela e ignorar a sua própria alergia?
Por que ele, que era claramente tão dominador, sempre agia com tanto cuidado na frente dela, como se temesse que ela se quebrasse com um simples toque?
Ela não entendia.
Ela não entendia nada.
Sófia olhou para a sua expressão confusa e desamparada, soltando um leve suspiro no fundo do coração.
Algumas verdades eram dolorosas demais, afiadas demais, e ela não podia dizê-las diretamente.
Não podia dizer a ela que certa vez ela foi aprisionada por Daniel em nome da proteção.
Não podia dizer a ela que ela havia desejado fugir com todas as forças e o odiara até os ossos.
Não podia dizer a ela que ela havia sido envenenada, entrado em coma e quase morrido no meio daquelas conspirações e esquemas.
Ela só pôde escolher a parte mais pura, mais calorosa e que menos a machucaria.
Sófia suavizou a voz, com um tom calmo e sincero:
"Você era uma pessoa muito, muito boa no passado."
"Orgulhosa, brilhante, vivia de forma muito livre, tinha bondade no coração e também as suas próprias arestas, muitas pessoas gostavam de você sinceramente."
Ela fez uma pausa e começou a falar lentamente sobre o passado escondido pelo tempo: "Daniel, ele já foi o seu guarda-costas."
Renata levantou os olhos bruscamente, com o fundo dos olhos cheio de surpresa.
Guarda-costas?
Aquele homem que agora tinha uma aura poderosa, cuja palavra era lei, a quem até ela temia involuntariamente, já havia sido o seu guarda-costas?
"Sim." Sófia assentiu com a cabeça, num tom afirmativo. "Por mais de dez anos, ele esteve ao seu lado desde a juventude, e tudo o que você dizia, ele obedecia."
"Aonde você ia, ele a seguia; o que você pedia para ele fazer, ele fazia."
"Por mais de dez anos, sem se afastar um único passo, ele arriscou a vida para protegê-la, colocando você em um lugar mais importante do que a sua própria vida."
Renata escutou perplexa, as pontas dos dedos frias, o coração tremendo levemente.
Ela não conseguia imaginar aquela cena.
Não conseguia imaginar aquele homem que hoje era sempre tão silencioso e reprimido, tendo guardado-a de forma tão humilde, tão leal e tão desesperada no passado.
"E a minha família?" Ela perguntou suavemente, "Os meus pais..."
"A empresa da sua família sempre esteve no exterior." Sófia respondeu com firmeza, evitando falar sobre a turbulência e o perigo. "Antes, devido a alguns assuntos, não foi conveniente para eles voltarem temporariamente. Todos eles sentem muito a sua falta e entrarão em contato com você quando o seu estado estiver um pouco mais estável."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...