O carro seguiu sereno rumo à garagem da mansão, e a luz ascendeu iluminando o espaço espaçoso.
O carro de Gabriela, realmente, havia desaparecido.
Renata desceu do automóvel segurando o gatinho em seus braços e postou-se perante o portão da mansão. Elevou o olhar para observar esta grandiosa e indiferente edificação, ainda manifestando um leve desconforto internamente.
Mas desta vez ela não recuou.
Caminhando próximo dela, Daniel abriu a enorme porta de modo sutil:
"Pode entrar."
A iluminação da sala de estar transparecia vivacidade. Ao lado, os empregados mantiveram as cabeças cabisbaixas sem proferir uma palavra sequer.
Na casa como um todo, o silêncio predominava ao ponto que apenas o zunido ininterrupto da eletricidade propagava-se.
Sem os sons afáveis e farsantes de Gabriela, isentos de seus sorrisos manipuladores ou do antagonismo submerso nela.
De fato ela havia partido.
As cordas que enrijeciam a ansiedade de Renata distensionaram de leve.
Mas ela não tornou essas sensações visíveis aos outros, a serenidade em seu rosto se manteve e ela direcionou-se com destreza às escadarias.
"Onde você vai?", questionou Daniel logo atrás.
"Procurar o meu celular.", Renata respondeu sem virar para olhar ele, "Recordo que você disse ter armazenado os meus pertences no meu quarto."
Ela visava procurar pelo celular imediatamente.
Porque o quão antes de ser apanhado, antes o seu alívio predominaria.
Fitando a ânsia exalada nas costas dela, ele suspirou em silêncio e impulsionou as pernas para persegui-la:
"Eu vou te acompanhar."
"Não tem necessidade.", ela o refutou.
"Eu não tocarei nos seus pertences.", manifestou num linguajar pacífico, "Eu apenas temo a incapacidade sua de localizá-los."
Renata parou de lhe ofertar atenção e abriu as portas do quarto dela acomodado no segundo andar.
O quarto se mantinha no exato modo anterior da partida dela. Asseado e ajeitado, os raios de sol propagavam para o interior perante a janela que estendia do forro ao soalho com ternura e iluminação. As vestes dela em conjunto com os mantimentos pessoais acomodavam-se em seu devido posto perfeitamente no silêncio, isentos de evidências de manipulação.
Ao infiltrar as portas, ela principiou a busca sem pestanejar.
Revistando na mesinha de cabeceira e na penteadeira, buscando entre bolsos do guarda-roupas, os debaixo do travesseiro, nas divisões da mala de mão...
Investigando ponto após ponto e observando exaustivamente.
Acomodando as costas no entorno do portão e impedindo de adentrar e interferir. Apenas a observando silenciosamente.
Visualizando-a em silêncio de lábios franzidos numa conduta dedicada e firme, tal qual se ela equiparava-se ao gatinho esforçando buscar por bens que foram encobertos.
"Por final das contas em que exato local está meu celular?", perguntou Renata perdendo o comedimento na postura com as incertezas, e a sobrancelhas tornaram franzidas fixadas nele, virando.
"Não tentei encobri-los ocasionalmente.", Daniel exibiu as palmas para evidenciar inocência, "Após abandonar os leitos dos doentes, estive comovido que os utilizasse irrefutavelmente conectando ao desconhecido, sendo assim a armazenei comigo. Fica despreocupada ao conhecimento em questão dos itens ocultos não fui invadir e a tua privacidade desvendar."
"Onde?", indagou ela em linguajar hostil.
Retificando sua postura, ele ergueu as mãos e dedilhou para a gaveta posicionada inferior de seu aparador que encontrava-se confinada por trás dos trincos: "Ali perante. O cadeado para a liberação..."
Interrompendo a prossecução da falácia e fixando as orlas no criado-mudo da cabeceira: "A chave situa-se no topo da prateleira."
Imediatamente Renata abrangeu o rumo da sua trajetória pegando as chaves. Avançando nos passos para o seu aparador em frente as portas, decaindo seu corpo de imediato introduzindo ela através das fendas dos trincos das portas.
"Click."
O trinco cedeu e os bloqueios liberaram-se.
Adentrando pela gaveta os olhares incidiram perante ele:
Repousado na divisão mediana central localizava-se o celular pertencente a ela em silêncio.
Na ocorrência disto os peitos em perturbação nela apaziguaram e despreocuparam.
Aparentava se tratar de ser abraçado o derradeiro artifício viável à própria preservação na adversidade de morte.
Estendendo a mão ela confiscou-o mantendo sob sua dominação no ato de fixação com fúria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...