A notícia logo voltou.
"O cais clandestino está vazio, não há sinais de atracação de barcos, nem indícios de atividade humana recente."
O rosto de Gregório escureceu: "Fomos enganados?"
Daniel ficou em silêncio por um momento e, de repente, levantou a mão, sinalizando para que todos mantivessem silêncio.
Ele analisou cuidadosamente os pequenos sons trazidos pelo vento — motores, vozes, movimentos anormais das ondas... nada.
Nenhuma frota, nenhum apoio, nenhuma transferência de carga.
Nem mesmo os vigias mais comuns dos subordinados de Elias estavam à vista.
"Onde estão?" Um subordinado não pôde evitar sussurrar. "A inteligência confirmou claramente, como pode estar vazio?"
Gregório levantou a mão, mandando-o calar a boca, e virou-se para Daniel: "O que você acha?"
Daniel recolheu o olhar lentamente, a frieza em seus olhos tornou-se ainda mais intensa, pronunciando cada palavra: "Ele sequer usou o porto."
"Desde o início, era uma informação falsa."
"Vazaram a rota da carga de propósito para nos atrair, concentrando toda a nossa força no mar e no porto, para abrir caminho para a rota verdadeira dele."
Gregório perguntou: "Você está dizendo que ele mudou para a rota terrestre?"
"Não só isso." O dedo de Daniel deslizou rapidamente pelo mapa. "Ele sabe muito bem que nos unimos aos militares e que haveria bloqueios tanto no mar quanto em terra."
"Ele não usaria nenhuma rota convencional em que pudéssemos pensar."
Nesse exato momento, o grupo responsável pela vigilância no interior do continente transmitiu uma mensagem, com a voz um tanto solene: "Chefe, Sr. Pacheco, a Srta. Lopes notou algo incomum. Veículos passaram rapidamente perto de uma mina abandonada nas redondezas, mas eles não conseguiram alcançá-los. Os inimigos tinham habilidades anti-rastreamento extremamente fortes e conseguiram despistar a perseguição."
"Encontraram algum rastro da carga?"
"Ainda não. Os chassis dos veículos inimigos foram modificados de forma especial, é impossível determinar se carregavam peso. Além disso, eram poucos homens e a ação foi extremamente rápida, não parecia um transporte de carga em grande escala."
Daniel fechou os olhos e, quando os abriu, estavam cheios de frieza.
"Tática de distração, somada a um escoamento fragmentado."
"Os três barcos de pesca que vimos eram uma isca. A carga verdadeira já havia sido dividida por ele em lotes muito pequenos, infiltrados por caminhos estreitos que menos esperaríamos e que menos protegeríamos."
O rosto de Gregório fechou-se completamente.
Eles haviam armado uma rede inescapável, mobilizando os militares, a guarda costeira e todas as forças em terra, prontos para aniquilar tudo de uma vez.
E o resultado foi mais um fracasso.
Elias usou uma informação falsa quase óbvia para fazer todos eles de idiotas.
"Vamos atrás deles?" Gregório perguntou com voz grave.
"É inútil." Daniel balançou a cabeça. "Se ele teve a audácia de jogar a isca, com certeza já preparou uma rota de fuga. Se o seguirmos agora, só continuaremos a ser levados por ele, o que facilitaria cair em uma emboscada."
O vento do mar uivava, as ondas batiam com um som surdo. As luzes do porto ainda estavam acesas, mas o lugar parecia uma cidade fantasma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...