"Se os parâmetros forem verdadeiros, o valor destas amostras para a NexGen será estratégico."
Ele ergueu os olhos e disse apenas três palavras: "Vale a pena."
Havia uma cumplicidade de anos entre os dois; não eram necessárias muitas palavras.
Sófia voltou a olhar para Elias, articulando cada palavra com clareza:
"Certo. Nós iremos para a Cidade Eroe."
"Quando?"
"O mais rápido possível," disse Elias. "Vou organizar as coisas do meu lado, e podemos partir amanhã de manhã. Chegaremos de manhã e entraremos diretamente no laboratório à tarde."
"Pode ser," Sófia decidiu na hora. "Lucas e eu iremos, levando o diretor técnico e o chefe de conformidade. Uma equipe enxuta, sem ostentação, indo direto ao ponto central."
A questão foi resolvida assim, de forma definitiva.
A cerimônia de assinatura, outrora tão esperada por todos, foi adiada de forma limpa e direta com um simples "os materiais são mais urgentes".
Para a NexGen e para Sófia, os assuntos verdadeiramente importantes nunca foram a agitação sob os holofotes, mas sim segurar a tecnologia com firmeza onde ninguém podia ver.
-
Terminada a reunião, Sófia voltou para o seu escritório.
Assim que fechou a porta, ela pegou o celular e ligou para Gregório Pacheco.
A ligação foi atendida quase que instantaneamente.
"Já terminou a reunião?" A voz profunda e suave do homem soou. O fundo estava silencioso, indicando claramente que ele estava em seu escritório.
"Uhum." Sófia encostou-se relaxada no encosto da cadeira, sua voz soando um pouco mais suave: "Quero te falar uma coisa, vou fazer uma viagem de negócios amanhã."
Gregório fez uma leve pausa: "Para onde? Por quanto tempo?"
"Cidade Eroe, para visitar um laboratório de materiais aeroespaciais," explicou Sófia de forma simples. "Nós íamos assinar o contrato, mas surgiram materiais ainda mais essenciais por lá. Preciso ir imediatamente, se nos atrasarmos, outra pessoa vai pegar."
Gregório ficou em silêncio por um instante.
Ele conhecia Sófia muito bem.
Sempre que envolvesse a NexGen, a segurança tecnológica ou algo realmente grande, ela deixava tudo de lado sem hesitar e se atirava na linha de frente.
Mas ele não estava tranquilo.
A Cidade Eroe não era remota, mas, no fim das contas, ficava em outro estado.
Vicente Oliveira ainda não havia sido completamente capturado, e as ameaças ocultas não tinham sido eliminadas.
A situação com Renata Rocha acabara de se acalmar, Gabriela Silva observava como uma ave de rapina, e Daniel Azevedo mal conseguia cuidar de si mesmo.
Embora Lucas estivesse com ela, o foco dele era a tecnologia. Em termos de segurança e resposta a emergências, nada substituía ter alguém absolutamente confiável por perto.
"Eu vou com você." A voz de Gregório não dava margem para discussão.
Sófia suspirou suavemente: "Gregório, não dá."
"Clara acabou de receber alta do hospital, e agora é quando ela mais precisa de alguém. A menina ainda acorda chorando à noite, precisa medir a temperatura e ser observada de perto. Não me sinto segura deixando a Dona Xandra cuidar dela sozinha."
Ela fez uma pausa e suavizou a voz: "Da minha parte, é apenas uma viagem de negócios normal. Elias vai me acompanhar o tempo todo, Lucas também estará lá. Serão todos locais públicos, não haverá perigo."
"Você fica em casa cuidando da Clara para mim, só assim poderei trabalhar tranquila."
O coração de Sófia aqueceu suavemente.
Ela sabia que ele não estava exagerando.
Ela assentiu levemente, sua voz ficando mais doce: "Está bem, vou seguir o seu conselho e deixar o Ivan me acompanhar."
"Vou pedir para ele encontrar você diretamente no aeroporto." Gregório suspirou aliviado. "Tome cuidado com tudo. Se acontecer alguma coisa, mesmo que pareça apenas um pouco estranha, me ligue imediatamente."
"Entendido," disse Sófia suavemente. "Cuide bem da Clara em casa, não a deixe comer besteiras e lembre-se de medir a temperatura dela na hora certa."
"Uhum," Gregório respondeu em voz baixa. "Vou estar te esperando."
Após desligar a ligação, Sófia encostou-se na cadeira e fechou levemente os olhos.
Com alguém a apoiando e cuidando da pessoa com quem ela mais se importava em casa, ela podia seguir em frente sem preocupações.
-
Na manhã seguinte.
No canal VIP do aeroporto.
Sófia usava um sobretudo preto, com óculos escuros escondendo a maior parte de sua expressão, exalando uma aura calma e eficiente.
Atrás dela seguiam Lucas, o diretor técnico, o chefe de conformidade e um homem vestindo roupas casuais pretas simples, com uma postura ereta e uma expressão impassível: Ivan.
Ivan manteve-se calado o tempo todo. Não puxava conversa e não chamava atenção. Apenas caminhava infalivelmente atrás e ao lado de Sófia, com o olhar calmo varrendo o entorno; parecia distraído, mas na verdade registrava todas as saídas e os movimentos das pessoas.
Lucas olhou para Ivan e não fez muitas perguntas, apenas disse suavemente a Sófia: "Na questão da segurança, com ele aqui, podemos ficar tranquilos."
Sófia assentiu levemente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...