Renata respirou fundo, reprimindo a amargura que transbordava em seu coração.
Não era como se ela não pudesse esperar.
Ela podia esperar que ele terminasse de resolver as coisas, esperar que ele baixasse a guarda e esperar que ele quisesse abrir o coração.
Ela podia aceitar que ele tinha seus motivos, circunstâncias além do seu controle e segredos indizíveis.
Mas ela não podia continuar daquele jeito, suspensa no ar, sem ir para frente nem para trás.
De um lado, havia a ternura e a proteção que ele construía através de ações; do outro, havia o silêncio e a evasiva de quem preferia morrer a falar.
Com o tempo, até ela mesma achou tudo aquilo ridículo.
Ela era Renata.
Ela podia tomar a iniciativa, podia correr em sua direção e podia procurá-lo independentemente de qualquer coisa.
Mas ela não podia tomar a iniciativa o tempo todo, correr em sua direção o tempo todo, agarrar-se ao seu silêncio o tempo todo e continuar a se confortar.
Ela não queria ser a pessoa que o incomodava incansavelmente.
Não queria ser aquela que corria atrás dele, esperando por uma esmola de afeto.
Não queria se rebaixar tanto, sendo como um cachorrinho submisso que o rondava o tempo todo.
Quanto mais tempo o silêncio durava, mais fria ficava a coragem que ela havia reunido com tanta dificuldade em seu coração.
Acontece que o sentimento era verdadeiro.
Mas não a amar o suficiente também era.
Se amasse alguém o suficiente, como suportaria deixá-la sempre adivinhando, sempre esperando, sempre ansiosa, viajando de tão longe para um lugar como aquele, cercada pelo silêncio de um quarto, esperando por alguém que nunca abriria a boca por vontade própria?
Renata desviou o olhar lentamente, abaixando os cílios para esconder a decepção e a frieza que passaram rapidamente por seus olhos.
Ela não olhou mais para ele, não esperou mais que ele falasse, e não tentou mais extrair qualquer pingo do afeto que ela desejava de sua expressão silenciosa.
Já chegava.
Realmente já era o suficiente.
Continuar esperando só esgotaria o que lhe restava de paixão e dignidade.
Ela moveu o corpo levemente, sentou-se ereta e, com uma voz tão calma que não apresentava qualquer oscilação, como se estivesse dizendo a coisa mais trivial do mundo, falou: “Eu vou embora.”
O corpo inteiro dele endureceu de repente, e os dedos que seguravam o copo apertaram-se abruptamente.
Ele levantou os olhos bruscamente e olhou para ela: “...O que você disse?”
Ele abriu a boca e sua voz soou terrivelmente rouca, como se não falasse há muito tempo, cada palavra saindo com dificuldade.
Renata não olhou para ele, seu olhar estava fixo na superfície vazia da mesa à sua frente, e seu tom continuou calmo: “Eu disse que vou voltar.”
“Os assuntos daqui são seus, não têm nada a ver comigo.”
“Eu devo ir embora.”
Cada palavra foi clara, calma, desprovida de emoção e sem o menor traço de nostalgia.
Daniel ficou onde estava; seu coração parecia ter sido agarrado ferozmente por uma mão invisível, doendo tanto que ele mal conseguia respirar.
“Por que quer ir embora de repente?” Sua voz soou tensa: “Aqui é perigoso, Elias ainda não foi capturado, não é seguro você ir agora.”
“Ser seguro ou não, é problema meu.” Renata finalmente ergueu os olhos e olhou para ele: “Você não precisa mais se dar ao trabalho de me proteger.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...