Ele temia que ela pensasse demais.
Temia que ela suportasse a inquietação de uma noite inteira sozinha naquele quarto pequeno e silencioso.
“Deixo isso com você, me avise imediatamente se houver qualquer novidade.” Daniel finalmente cedeu, e após terminar de dar as instruções ao seu subordinado, virou-se e saiu do cais a passos largos.
O carro se afastou da costa, o vento do mar foi gradualmente bloqueado pelas janelas, e a pálida luz do amanhecer surgiu aos poucos no horizonte, tingindo as margens da cidade escura com uma leve camada de branco.
Desta vez, mesmo tendo armado uma armadilha perfeita e executado um excelente contra-ataque, Elias ainda conseguiu escapar pulando no mar.
A ameaça não havia sido eliminada, o perigo ainda pairava sobre suas cabeças e, mais ainda, ao redor de Renata.
O carro entrou lentamente no acampamento provisório e o céu já estava clareando. A segurança no acampamento continuava rigorosa, as pessoas caminhavam apressadas, mas instintivamente suavizavam seus passos, sem ousar quebrar o silêncio da madrugada.
Daniel caminhou direto para o pequeno quarto que havia sido preparado para Renata, seus passos suavizando-se inconscientemente.
Ele levantou a mão e bateu levemente na porta.
Não houve nenhum som vindo de dentro.
Ele hesitou por um momento e abriu a porta com cuidado.
Havia apenas uma fraca luz de cabeceira acesa no quarto, e a luz amarela e quente banhava suavemente o pequeno espaço.
Renata não estava deitada na cama, mas sim sentada na cadeira ao lado, com o corpo ligeiramente encolhido e a cabeça encostada levemente na parede. Era evidente que ela ficara sentada esperando por ele, e acabou adormecendo.
O sono dela não era tranquilo, suas sobrancelhas estavam levemente franzidas, seus longos cílios projetavam uma pequena sombra sob os olhos, e seu rosto parecia um pouco pálido sob a luz.
A exaustão de uma noite sem dormir estava claramente estampada em seu rosto, mas ainda assim não conseguia esconder sua aura pura e suave.
Daniel parou e ficou na porta, sem se aproximar imediatamente.
Ele a observou em silêncio; toda a frieza, fadiga e irritação em seus olhos suavizaram-se completamente naquele momento, deixando apenas uma profunda ternura.
Ele entrou na ponta dos pés, querendo cobri-la com um cobertor fino para que ela pudesse dormir melhor.
No entanto, no momento em que ele se aproximou, Renata abriu os olhos lentamente.
Ela tinha um sono leve, e qualquer pequeno ruído era suficiente para acordá-la.
Seus olhares se encontraram.
O quarto estava tão silencioso que era possível ouvir a respiração um do outro.
Renata não disse nada, apenas o observou em silêncio.
Ela olhou para as olheiras profundas dele e para o seu cabelo ligeiramente desgrenhado.
Olhou para a barra de sua camisa levemente úmida pela brisa do mar, e para a fadiga inescondível em seu rosto, acompanhada de um traço imperceptível de frustração.
Ela não perguntou como tinha sido a missão.
Não perguntou se haviam capturado o homem, nem por que ele voltara tão tarde.
Ela apenas ficou sentada ali quieta, com o olhar pousado suavemente sobre ele, sem repreensão, sem pressão, sem curiosidade, oferecendo apenas uma companhia silenciosa.
Daniel permaneceu onde estava, sentindo a garganta apertar levemente.
Ele já a vira sendo mimada, vira-a sendo distante, teimosa, em pânico e tímida, mas nunca a vira daquele jeito.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...