Ela não conseguia acreditar. Encarou fixamente aquele corpinho, os seus joelhos fraquejaram e ela se agachou no chão, sem forças, as pontas dos dedos tremendo, mas sem ousar tocar, como se um toque pudesse destruir completamente a última gota de esperança.
"Não pode ser..."
Ela murmurou para si mesma, com a voz tão leve quanto um suspiro, carregando um pânico incrédulo: "Ontem ele estava tão bem... ainda comia, ainda se esfregava em mim... ainda miava..."
Como ele pôde morrer de repente?
O veterinário havia dito claramente que eram apenas ferimentos leves e febre, e que com bons cuidados ele se recuperaria em poucos dias.
Ela havia cuidado dele com tanta cautela desde que voltara, dando-lhe água limpa, comida limpa e um lugar quente.
Ele havia se esforçado tanto para viver.
Por que ele ainda assim morreu?
Um pânico e uma impotência imensos a engoliram num instante.
Ela se agachou no chão, olhando para o gato pequeno e imóvel, e as suas lágrimas caíram sem aviso, pingando uma a uma no piso e no cobertor ao lado do gatinho.
Ele era como ela, sem teto, pequeno e desamparado.
Ela achava que o tinha salvado, que poderia lhe dar um lar.
Achava que, finalmente, poderia se agarrar a um pouco de calor.
Mas, no fim, até mesmo aquele pouco de calor havia escapado por entre as suas mãos.
Renata mordeu os lábios com força para não chorar em voz alta, mas os seus ombros não paravam de tremer levemente.
Injustiça, desamparo, confusão, dor no coração — todas as emoções se espremeram juntas, sufocando-a até deixá-la sem fôlego.
O que ela não sabia era que, naquele breve período vazio em que Sófia havia saído e ela estava submersa nos seus próprios pensamentos, alguém havia voltado à mansão.
Gabriela.
Ela tinha voltado para fazer as malas.
Antes, quando Renata voltara do quintal, esbarrara diretamente nela na entrada da sala de estar.
O rosto da mulher já não tinha a gentileza e a doçura do passado; restava apenas frieza e aspereza. Com uma maquiagem impecável, o seu olhar parecia envenenado enquanto varria Renata com frieza, carregando um ódio e uma zombaria indisfarçáveis.
"Voltei para arrumar as minhas coisas." Gabriela falou, com uma voz fria e dura: "Você não precisa me olhar assim, não vou mais ficar nesta casa."
O rosto de Renata estava calmo na hora, e ela não disse nada, apenas a observou friamente.
O olhar de Renata a enfureceu, e todo o rancor e ressentimento reprimidos por tanto tempo explodiram completamente antes da sua partida.
Ela deu um passo à frente, baixou a voz, e cada palavra foi dita com aspereza: "Renata, não pense que você venceu."
"Você é apenas um parasita no ninho dos outros, aproveitando-se da pequena obsessão que ele tem por você para ficar por aqui."
"Agora você não se lembra de nada, não sabe de nada; qual é a diferença entre você e uma marionete?"
"Você acha que ele realmente te ama? Ele só não consegue desapegar do passado, ele só está tentando se redimir!"
Cada palavra dela era como uma agulha, perfurando impiedosamente o lugar mais vulnerável do coração de Renata.
O rosto de Renata empalideceu aos poucos, mas ela ainda se manteve firme, sem rebater, apenas olhando-a friamente.
Gabriela olhou para a sua expressão pálida e silenciosa, sentindo um lampejo de satisfação no coração, mas também uma imensa humilhação.
Ela havia lutado por tanto tempo, planejado por tanto tempo, e no fim ainda teria que sair de forma tão humilhante.
"Eu vou embora." Gabriela deu um sorriso frio. "Mas lembre-se, o que eu não pude ter, você também não terá em paz."
Depois de falar, ela pegou a mala que já havia sido arrumada, não olhou para a mansão novamente, virou-se e saiu decidida.
A porta principal se fechou com um estrondo, trancando do lado de fora todo o seu ressentimento e ódio.
Renata ficou parada no mesmo lugar, o peito doendo de tanta angústia, mas ela não foi atrás, nem fez escândalo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...