O gatinho pareceu sentir que ela não tinha más intenções. O tremor diminuiu um pouco, mas ele ainda a observava com cautela, soltando um leve "miau", com uma voz fraca e lamentável.
Renata se aproximou devagar e, com muito cuidado, o pegou gentilmente em seus braços.
O corpinho do gato era muito pequeno e leve, mas estava assustadoramente quente; era evidente que estava com febre.
Ele não se atrevia a colocar peso na pata traseira machucada, encolhendo-a levemente e esfregando-se contra o peito dela, tremendo um pouco.
Naquele momento, Renata sentiu de repente uma conexão, como se compartilhassem a mesma dor.
Ele não tinha casa, estava machucado, indefeso e havia sido abandonado.
E ela, sofria de amnésia, estava perdida, morando de favor e sem controle sobre o próprio destino.
Ela abraçou o pequeno gatinho com força, e seu olhar tornou-se determinado.
Ela não podia abandoná-lo.
"Nós vamos para casa.", ela disse em voz baixa, como se falasse para o gatinho, mas também como se falasse para si mesma.
Embora aquele chamado "lar" nunca lhe pertencesse de verdade.
Renata carregou o gatinho e virou-se para caminhar na direção da mansão.
O gatinho em seus braços deitou-se silenciosamente em seu peito, esfregando-se na sua roupa, parecendo ter encontrado um pingo de segurança.
Os seguranças a seguiram, olhando para o gatinho em seus braços, mas não disseram nada, apenas abriram o portão da mansão em silêncio.
Assim que Renata entrou, Gabriela descia exatamente pelas escadas do segundo andar.
Ela usava uma roupa de ficar em casa muito elegante, com a maquiagem impecável e um sorriso suave.
Mas, ao ver o gato de rua sujo nos braços de Renata, o sorriso em seu rosto congelou instantaneamente, e um rápido traço de nojo e descontentamento passou pelo fundo de seus olhos.
"Você voltou.", Gabriela desceu rapidamente, seu olhar pousou no gatinho, e seu tom carregou uma doçura forçada, mas que não conseguia esconder a rejeição, "O que... é isso nos seus braços? Está tão sujo, será que não tem alguma bactéria?"
"Ele está machucado.", Renata explicou em voz baixa, com um toque de súplica nos olhos, "Eu o encontrei lá fora, ele dá muita pena. Queria deixá-lo em casa primeiro, cuidar dele por alguns dias até que ele melhore..."
"Não pode."
Gabriela a interrompeu imediatamente. Seu tom continuou suave, mas carregava uma firmeza inquestionável.
Com um sorriso no rosto, a voz dela esfriou pouco a pouco: "Não é que eu não seja compreensiva, mas, nesta casa, realmente não podemos manter gatos de rua."
"Daniel tem uma alergia severa a pelo de gato."
"Como você sabe, a saúde dele nunca foi das melhores. Se uma crise alérgica desencadear uma asma, não é pouca coisa."
"Sua saúde acabou de melhorar, você não pode deixar o Daniel sofrer por causa dessas coisinhas."
Ela usou a alergia de Daniel como desculpa; era uma justificativa plausível e impossível de ser refutada.
As mãos de Renata segurando o gatinho apertaram-se levemente.
Ela não sabia que Daniel tinha alergia a pelos de gato, ninguém havia lhe contado.
"Então... E se eu o colocar na varanda, ou no quintal, longe dele, será que posso?"
"Ele está realmente prestes a morrer, não posso simplesmente abandoná-lo assim."
"Na varanda também não.", Gabriela balançou a cabeça, com um tom firme e sem dar qualquer espaço para discussão, "Com o vento soprando, os pelos de gato ainda voariam para dentro. Se o Daniel inalá-los, o que vamos fazer?"
Ela deu um passo à frente, e o sorriso em seu rosto desapareceu gradualmente. Aquela camada disfarçada de doçura em seus olhos rasgou-se aos poucos, revelando uma hostilidade e uma postura controladora genuínas.
Sua voz não era alta, mas cada palavra foi clara, cravando-se no coração de Renata como agulhas: "Eu sei que você tem um bom coração, mas precisa entender as situações."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...