De repente, ela se lembrou de ter visto no celular antes, que havia um tipo de hotel que permitia animais de estimação.
Renata pegou o celular, procurou por hotéis próximos que aceitavam animais e, encontrando o mais próximo, caminhou passo a passo com o gatinho nos braços.
Ela usou o pouco dinheiro que tinha com ela para reservar um pequeno quarto de solteiro.
O quarto não era grande, mas era limpo, quente e silencioso.
Mais importante, não havia ninguém ali para mandá-la embora, ninguém para olhá-la com hostilidade, ninguém para lhe dizer "você é uma estranha".
Ela colocou o gatinho suavemente na cama e despejou água e ração para ele.
O gatinho comeu algumas mordidas timidamente, depois encostou-se ao lado dela e deitou-se em silêncio.
Renata sentou-se na beira da cama, olhando para o gatinho em seus braços, e, por fim, não conseguiu mais se segurar. Seus olhos ficaram vermelhos e as lágrimas rolaram em silêncio.
Ela não tinha mais uma casa.
Era tão difícil até mesmo arrumar um lugar para ficar com um gatinho.
Na Mansão Azevedo.
Daniel voltou à tarde, passou pela porta, mas não viu o vulto de Renata.
"Onde está a Renata?", perguntou ele aos empregados.
A empregada assumiu uma expressão constrangida, gaguejando sem ter coragem de falar.
Gabriela saiu da sala de estar com um sorriso suave no rosto. Ela se adiantou por vontade própria, explicando com um tom gentil: "Daniel, você voltou."
"Renata acabou de sair para dar uma caminhada e voltou segurando um gato de rua. Eu disse que você é alérgico a pelos de gato e que não poderíamos mantê-lo em casa. Ela não gostou e foi embora segurando o gato."
Ela descreveu a situação com muita leveza, transferindo toda a culpa para a atitude "teimosa e insensata" de Renata, enquanto se colocava na posição de alguém atenciosa que pensava no bem-estar da família.
O rosto de Daniel fechou-se instantaneamente, seu olhar tornou-se gélido e ele olhou diretamente para Gabriela: "Quem te deu permissão para falar com ela assim?"
"Eu...", o rosto de Gabriela empalideceu, assumindo imediatamente uma expressão magoada, e as lágrimas brotaram na mesma hora, "Daniel, eu só fiz isso por você. A sua alergia é tão grave, e se..."
"Você não precisa se intrometer na minha alergia.", Daniel a interrompeu com rispidez, sua voz assustadoramente fria, "A saúde dela acabou de melhorar. Você não tenta agradá-la nem cuidar dela e, em vez disso, a expulsa?"
"Gabriela, quais são as suas verdadeiras intenções?"
Ele nunca havia se enfurecido tanto com ela.
Gabriela tremeu inteira e derramou lágrimas: "Eu não a expulsei, foi ela quem quis ir embora..."
"Cale a boca."
Daniel não quis mais olhar para ela. No fundo do seu coração só havia preocupação e pânico em relação a Renata.
Ela não tinha memória, estava indefesa, sem dinheiro, sem celular, sem ninguém em quem confiar e ainda estava segurando um gatinho ferido. Para onde ela poderia ir?
Ela encontraria algum perigo?
Ela estaria com medo?
Ela estaria chorando impotente?
"Investiguem imediatamente.", ele ordenou rispidamente aos seguranças atrás dele, "Encontrem a localização de Renata. Não importa o método, a encontrem agora mesmo."
Os seguranças não ousaram atrasar e agiram imediatamente.
Em apenas dez minutos, o endereço do hotel onde Renata estava foi enviado para o celular de Daniel.
Daniel deu uma olhada no endereço e, sem a menor hesitação, pegou seu casaco, virou-se e saiu correndo, sem deixar sequer mais uma palavra para Gabriela.
Gabriela permaneceu parada ali mesmo, olhando para as costas decididas dele, seu rosto mortalmente pálido, a tristeza em seus olhos transformando-se gradualmente em ressentimento e loucura.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...