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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1523

Ela sempre teve o sono leve, especialmente após o nascimento de Clara; por mais exausta que estivesse, qualquer pequeno ruído da filha a fazia abrir os olhos imediatamente.

Na escuridão, ela estendeu a mão para sentir a temperatura na pequena cama ao lado e, assim que a ponta dos dedos tocou a testa da filha, seu coração afundou bruscamente.

Quente.

Um calor assustador.

"Clara?"

Sófia sentou-se num pulo. Sua voz tremia incontrolavelmente. Ela acendeu a pequena luminária da mesa de cabeceira e, sob a luz amarela e quente, seu coração apertou-se de vez.

O rostinho de Clara estava vermelho de febre, os lábios rachados, as sobrancelhas fortemente franzidas, e a respiração era rápida e superficial. Os olhos, outrora cheios de vida, estavam bem fechados. Ela parecia murcha, encolhendo-se sob as cobertas de forma inconsciente, enquanto seu pequeno corpo tremia levemente.

As mãos de Sófia tremeram. Ao deslizar os dedos pela bochecha ardente da filha, sentiu como se o sangue do seu corpo inteiro tivesse congelado instantaneamente.

"Clara... Clara, não assuste a mamãe..."

A voz dela tremia, carregada de um pânico reprimido ao limite. Com as mãos trêmulas, ela puxou a filha para um abraço.

O pequeno corpo da criança estava quente como uma fornalha. O calor atravessou o pijama fino e queimou no peito de Sófia, fazendo com que suas mãos e pés ficassem gelados num piscar de olhos.

As cenas de sua vida passada desabaram sobre ela de repente, sem nenhum aviso prévio.

Tinha sido no meio de uma noite como aquela.

Aquele era o pesadelo do qual ela nunca conseguiu escapar em toda a sua vida.

O medo gravado no fundo de sua alma.

Nesta vida, ela havia lutado tanto para ter Clara novamente, tanto para manter a filha segura ao seu lado. Ela pensava que todos os pesadelos já haviam ficado para trás e que a tragédia já fora reescrita.

No entanto, naquele momento, a febre alta de sua filha a arrastou instantaneamente de volta para aquela noite desesperadora do passado.

"Clara, não assuste a mamãe, acorde..."

Sófia segurava a filha, tremendo incontrolavelmente por todo o corpo, e suas lágrimas caíram sem aviso no rosto da criança.

Ela estava em pânico, sem saber o que fazer. Sua mente ficou em branco e só lhe restava um único pensamento —

Não podia perdê-la de novo, de jeito nenhum.

"Gregório! Gregório!"

Ela gritou com a voz embargada e tão trêmula que perdia o tom.

Ao seu lado, Gregório acordou assustado quase que imediatamente.

"Gregório... Ela está tão quente..." Sófia ficou parada no mesmo lugar. "Será que ela... será que..."

Ela não tinha coragem de dizer o restante da frase.

Se falasse, iria se chocar contra aquelas memórias sangrentas e cruéis.

Gregório virou-se imediatamente, caminhou até ela e disse: "Não."

"Eu estou aqui."

"Clara não vai sofrer nada."

"É apenas uma febre alta. Nós vamos ao hospital agora mesmo e ela logo vai melhorar, confie em mim."

Sófia murmurou: "Tudo bem... Tudo bem..."

Ela pegou as coisas rapidamente, enrolou-se bem no próprio casaco, com o corpo ainda tremendo incontrolavelmente.

Com Clara nos braços, Gregório segurou a mão de Sófia com força usando a outra mão, e caminhou a passos largos para fora.

O jardim no meio da madrugada estava um breu, e o vento frio que batia no rosto cortava como gelo.

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