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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1524

Gregório tirou o próprio casaco e o enrolou no corpo da filha.

"Entre no carro."

Ele puxou Sófia para o banco do passageiro e, assim que a porta se fechou, deu a partida no carro de imediato.

O carro preto acelerou de forma suave e rápida pelos portões da mansão, adentrando as ruas silenciosas da madrugada.

Sófia passou o trajeto inteiro com o corpo virado para trás, encarando Clara no banco traseiro sem piscar. As mãos formavam punhos cerrados e as unhas afundavam nas palmas, usando a dor para se forçar a continuar desperta.

O som fraco da respiração da filha batia no seu coração a cada inspiração.

Ela não ousava fechar os olhos, não ousava relaxar e não podia permitir o mínimo descuido.

Na vida passada, sua filha falecera de pneumonia provocada por uma febre alta.

Nesta vida, mesmo que precisasse dar o seu sangue, ela protegeria Clara.

Pelo espelho retrovisor, Gregório olhava para as costas dela, tensas a ponto de estarem quase rígidas, e sentiu uma dor excruciante de pena.

Ele soltou uma das mãos do volante e apertou levemente a mão gelada de Sófia. O calor de sua palma a aqueceu com firmeza: "Não fique nervosa, já estamos chegando ao hospital."

"Uhum", murmurou Sófia, com a voz seca e trêmula.

"Eu estou aqui." A voz de Gregório se suavizou. "Aconteça o que acontecer, eu estarei aqui. Não vou deixar que nada de ruim aconteça à Clara e não deixarei você suportar isso sozinha."

Os olhos de Sófia arderam, e as lágrimas tornaram a cair.

Ela queria desabafar.

Mas —

Aquela memória era pesada demais, sombria demais e absurda demais.

Reencarnação, quem acreditaria em uma coisa dessas?

Ela não podia deixar que Gregório vivesse amedrontado junto com ela, não podia deixá-lo pensar que ela tinha algum problema mental, e muito menos destruir a paz que haviam conseguido com tanto esforço.

Ela só podia enterrar todo aquele pavor no fundo da alma.

O carro estacionou na porta do hospital. As luzes da emergência se destacavam fortemente na calada da noite.

"Certo," respondeu Gregório na hora, cooperando por completo.

Sófia acompanhou tudo como se fosse uma marionete — a coleta de sangue, o laboratório e a espera pelos resultados.

Cada segundo e cada minuto eram como tortura. Ela encarava a pequena figura na sala de medicação e, ao ver a agulha perfurar a pele fina da filha, o coração doía tanto que ela mal conseguia respirar.

Clara soltou dois choros fracos num estado de sonolência e voltou a fechar os olhos por pura exaustão.

"Mamãe..."

A filha murmurou de forma inconsciente, com uma voz tão fraca quanto o peso de uma pluma.

Os olhos de Sófia ficaram vermelhos.

Gregório caminhou apressadamente até ela, agachou-se, e abraçou a mulher com delicadeza. Acariciou as costas de Sófia aos poucos, e, com uma voz terna e cheia de dor, sussurrou: "Vai ficar tudo bem, não vai ser nada, Sófia. Olhe para mim."

"Clara está apenas com uma febre alta normal. O médico disse que não é nada sério. Assim que a febre abaixar, ela vai ficar bem."

"Eu sei que você está com medo. Eu também estou. Mas nós precisamos confiar no médico e confiar em mim, está bem?"

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