O rosto de Gabriela ficou instantaneamente pálido. As lágrimas brotaram em seus olhos, mostrando-se injustiçada e magoada: "Daniel, por que você está me tratando assim? Eu sou a sua noiva, nós vamos nos casar em breve, eu só queria te tratar bem..."
Daniel retrucou: "O nosso noivado será rompido, mais cedo ou mais tarde."
"É melhor você se comportar e não ultrapassar os seus limites."
"Não apareça mais na minha frente, e muito menos alimente pensamentos indevidos, especialmente —"
"Não ouse tramar nada contra Renata."
"Caso contrário, não me importa quem você seja, eu não vou ter piedade de você."
Cada palavra foi como uma faca gelada cravada cruelmente no coração de Gabriela.
O corpo dela enrijeceu, seu rosto ficou branco como papel, e as lágrimas começaram a cair incontrolavelmente enquanto ela tremia.
Romper o noivado?
Ele nunca havia gostado dela?
Nunca havia pensado em se casar com ela?
Então, para que serviram todos esses anos de espera, dedicação, esquemas, chegando ao ponto de não hesitar em usar veneno para matar?
Tudo por um homem que nunca a amou, que nunca pensou em se casar com ela, e que agora só queria cancelar o noivado?
Tudo para pavimentar o caminho para outra pessoa?
Uma imensa humilhação, ressentimento, amargura e ciúme a inundaram em um instante.
Ela olhou para aquele homem frio e sem coração à sua frente, vendo como ele era cruel com ela por causa de Renata. O ódio em seu interior cresceu loucamente, ameaçando despedaçá-la por inteiro.
Por que as coisas eram assim?
Por que Renata não precisava fazer nada e, mesmo estando sem memória e sem se lembrar de nada, ainda podia receber todo o amor e proteção dele?
Enquanto ela, que havia entregado o seu coração e esgotado todos os seus ardis, só recebia em troca um "o noivado será rompido mais cedo ou mais tarde"?
Era injusto, cruelmente injusto.
Gabriela mordeu o lábio com força, cravando as unhas nas palmas das mãos, forçando-se a não chorar alto e a não desmoronar.
Ela sabia que não era o momento de fazer escândalo.
Daniel estava furioso, e se ela insistisse, ele só a odiaria ainda mais.
Ela iria suportar.
Ela reprimiu violentamente toda a amargura e ódio no fundo do peito, abaixou a cabeça lentamente e, com a voz embargada, soou ofendida, porém submissa:
"...Eu entendi."
"Não vou mais te incomodar."
Dito isso, ela se virou e saiu do quarto de hóspedes com passos rígidos. No instante em que fechou a porta, a expressão em seu rosto tornou-se gelada.
Daniel.
Desde o início, aquele noivado não passava de um acordo comercial, uma medida de conveniência.
Ele nunca lhe dera falsas esperanças, e nunca a havia tocado.
Foi ela quem insistiu em se afundar naquilo, em nutrir ilusões e em tramar contra Renata.
O desfecho atual era culpa dela mesma.
Ele caminhou até a beira da cama, sentou-se e ergueu a mão para massagear as têmporas doloridas.
Em sua mente, mais uma vez incontrolável, surgiu a cena do banheiro de instantes atrás.
As bochechas avermelhadas dela, o olhar em pânico, os cílios molhados, os ombros frágeis e a sua frase confusa "Eu só queria tomar um banho mais demorado".
O peito dele se apertou novamente.
Ele se levantou, caminhou até a janela e ficou observando a escuridão profunda da noite lá fora.
-
De noite.
Às duas e dez da madrugada.
Mansão Pacheco.
Sófia foi despertada por um som sutil de respiração ofegante ao seu lado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...