Gabriela cerrou os dentes.
Contanto que desse certo esta noite, contanto que ele a tocasse, ela teria um jeito de garantir firmemente aquela posição.
Mesmo que Renata estivesse sem memória, mesmo que fosse protegida por ele, não conseguiria competir com uma mulher que já tivesse uma relação íntima consumada com ele.
Gabriela respirou fundo, suprimindo o nervosismo e os cálculos em seu coração, exibiu um sorriso terno e sedutor no rosto, e abriu a porta do quarto suavemente.
Com passos leves, ela caminhou em direção ao quarto principal de Daniel.
Ela sabia que Renata estava tomando banho no banheiro do quarto principal, e Daniel com certeza estaria do lado de fora esperando.
Ela iria até lá no momento certo, seria terna, atenciosa e compreensiva e, antes que Renata saísse, seduziria o homem.
Mas, ao chegar à porta do quarto principal, ela percebeu que a porta estava entreaberta e não havia ninguém lá dentro.
O som da água vinha do banheiro; Renata ainda estava lá dentro.
Então, onde estava Daniel?
Um lampejo de dúvida passou pelos olhos de Gabriela, seguido imediatamente por uma pitada de alegria contida.
Era perfeito que ele não estivesse, ela poderia ir esperá-lo no quarto de hóspedes dele.
Ela se virou e caminhou em direção ao quarto de hóspedes vazio no fim do corredor, onde Daniel costumava ficar.
A porta do quarto de hóspedes não estava totalmente fechada.
Um sorriso presunçoso surgiu no rosto de Gabriela. Ela empurrou a porta suavemente, entrou e a fechou logo atrás de si.
A luz do quarto não estava acesa; apenas a fraca luz da lua entrava pela janela.
Em um relance, ela viu que a porta do banheiro estava aberta e que Daniel tinha acabado de sair.
O cabelo estava molhado, e ele usava apenas uma toalha de banho preta, amarrada frouxamente na cintura. Seu tronco de linhas fluidas e firmes ainda carregava gotas de água. Sob a luz do luar, seus músculos estavam bem definidos, exalando uma sensualidade fria e rígida.
No dia a dia, ele sempre vestia ternos alinhados, sendo sereno e frio.
Aquela aparência despojada e cheia de testosterona era raramente mostrada.
A respiração de Gabriela falhou de repente, e seu coração acelerou instantaneamente.
Um traço de obsessão e determinação de que conseguiria o que queria brilhou em seus olhos.
Um Daniel como aquele, deveria ser dela.
Ela imediatamente deu um passo à frente, com um sorriso terno e sedutor no rosto, e uma voz tão suave que parecia derreter, carregada de uma sedução calculada:
Gabriela enrijeceu o corpo, olhando para ele com incredulidade: "Daniel... sou eu, Gabriela, a sua noiva, eu só queria cuidar de você..."
"Eu não preciso."
Daniel finalmente ergueu os olhos e olhou para ela.
Aquele olhar não tinha um pingo de calor, não tinha nenhum traço de afeto; havia apenas uma aversão fria e distanciamento.
Ele nunca havia escondido a impaciência que sentia por ela, apenas não tinha sido tão direto antes por consideração às aparências e à situação.
Mas, naquela noite.
Logo após ele ter se contido à força, reprimindo-se ao extremo por causa de Renata.
Depois de seu coração e seus olhos estarem repletos daquela pessoa frágil e desorientada.
A aparição de Gabriela, sua sedução e suas ações calculadas só o faziam sentir uma repulsa imensurável.
"Gabriela, eu vou dizer mais uma vez: saia."
O tom dele endureceu, e a frieza em seus olhos tornou-se ainda mais intensa: "Não me faça repetir pela terceira vez."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...