No quarto, no segundo andar.
Era exatamente como Gabriela havia dito: espaçoso, iluminado, silencioso, decorado de forma acolhedora e confortável, com tudo à disposição.
As janelas francesas estavam abertas, a brisa entrava suavemente, trazendo consigo um leve perfume de flores.
Renata foi até a janela e olhou para o jardim lá fora, com um olhar que ainda parecia um pouco perdido.
Daniel parou atrás dela, observando suas costas frágeis, sentindo uma dor aguda e constante no peito.
Aquele lugar fora, um dia, a prisão onde a mantivera encarcerada, que a levara a um desespero tão grande a ponto de parar de comer e beber, desejando apenas a morte; fora ali que alguém a envenenara, quase fazendo-a partir para sempre.
Ele pensava que nunca mais a traria de volta àquele lugar de tanto sofrimento.
Mas agora, para protegê-la, ele não tinha outra escolha.
"Se você não gostou, podemos trocar de quarto."
Daniel falou em voz baixa: "Ou, se não quiser ficar morando aqui, podemos ir para outro lugar, é só você me dizer."
Renata virou a cabeça, olhou para ele e balançou a cabeça de leve: "Não precisa, aqui está ótimo."
Ela apenas sentia, inexplicavelmente, que tudo ali a deixava com um certo vazio no peito.
Daniel olhou para os olhos puros e inofensivos dela, não conseguiu mais se conter, deu um leve passo à frente, mas, sem ousar se aproximar demais, parou a uma distância segura: "Renata, antes..."
Ele fez uma pausa, sem saber como falar sobre aquele passado cruel, e, por fim, apenas disse em voz baixa: "Antes, a culpa foi minha, eu fiz você passar por muitas mágoas."
"Daqui em diante, eu não farei mais isso. O que você quiser fazer, você pode; aonde quiser ir, eu não vou te impedir; se não quiser me ver, eu não aparecerei. Só espero que você fique em paz e recupere bem a sua saúde."
Renata olhou para ele, assentiu de leve com a cabeça, sem dizer nada.
Ela não conseguia entender aquele homem.
Ele sempre agia assim. Quando olhava para ela, seus olhos demonstravam dor e ternura, como se escondessem as histórias de um mundo inteiro.
"Se eu souber que você a deixou nem que seja um pouquinho chateada ou insegura, eu a levarei embora imediatamente, e nunca mais deixarei que ela veja você."
Daniel não se irritou, apenas assentiu calmamente: "Eu sei."
"Saber não adianta nada, eu quero que você prometa." Sófia pressionou, implacável.
Gregório puxou Sófia levemente, pedindo que ela se acalmasse um pouco, e em seguida olhou para Daniel: "Não viemos para te provocar de propósito, mas a Renata já passou por tanta coisa, precisamos ser cautelosos."
"Você deve entender que a confiança é algo que, uma vez quebrada, é muito difícil de consertar."
"Eu entendo." Daniel respondeu. "Eu nunca esperei que vocês pudessem me perdoar, nem que pudessem confiar em mim de novo."
"Eu vou dizer isso apenas uma vez."
Ele ergueu os olhos, seu olhar percorreu Gregório e Sófia, pousando finalmente de volta em Renata, com um tom pesado e sério: "Agora que Vicente ainda está lá fora, o alvo dele é a Renata."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...