Sófia fechou os olhos, suspirou baixinho e não rebateu mais.
Uma hora depois, o comboio de carros entrou lentamente na Mansão Azevedo.
O carro parou suavemente, Daniel desceu primeiro, deu a volta até o outro lado e, com muito cuidado, ajudou Renata a descer, com movimentos tão delicados como se ela fosse um cristal que quebraria ao menor toque.
"Vá devagar, não há pressa."
Ele orientou em voz baixa, com o olhar constantemente fixo nela.
Renata assentiu de leve, erguendo a cabeça para observar a enorme e luxuosa mansão à sua frente.
O ambiente era excelente, a decoração era requintada, o jardim era espaçoso, o ar era fresco, tudo era impecavelmente perfeito.
Mas, sem saber por quê, aquela pitada de inquietação e opressão inexplicáveis voltou a brotar silenciosamente em seu coração.
Era como se o seu instinto a estivesse alertando que ali, um dia, fora o seu pesadelo.
Só que ela não conseguia se lembrar de nada.
Gabriela já estava parada na porta, esperando.
Ela vestia um vestido longo e suave de tons claros, com os cabelos soltos sobre os ombros e um sorriso delicado na medida certa no rosto. Parecia elegante e adequada, perfeitamente no papel de uma dona de casa virtuosa e exemplar.
Ao ver Daniel ajudando Renata a entrar com tanto cuidado, um traço de sombra e desgosto passou rapidamente por seus olhos, tão rápido e passageiro que ninguém seria capaz de notar.
Mas em seu coração, uma tempestade já se formava.
Com que direito?
Com que direito Renata, mesmo tendo perdido a memória, ainda era trazida de volta a esta casa por Daniel?
Com que direito ela, já tendo se tornado uma inútil que não se lembrava de nada, ainda ocupava toda a atenção de Daniel?
Com que direito ela, a noiva oficial e legítima, tinha que assistir como uma estranha o seu próprio noivo tratar outra mulher com tanto cuidado e extrema devoção?
Mas, assim que estendeu a mão, foi bloqueada discretamente por Daniel.
O movimento foi leve, mas muito distante. Seu olhar era ainda mais frio, desprovido de qualquer emoção.
"Não precisa se incomodar." O tom de Daniel era monótono, sem um pingo de calor. "Eu mesmo a ajudo a subir."
A mão de Gabriela, estendida no ar, congelou por um momento, e o ódio em seu coração se intensificou.
Mesmo assim, ela continuou mantendo o sorriso no rosto, soando magoada, porém atenciosa: "Tudo bem, então não vou atrapalhar vocês. Vou até a cozinha pedir que preparem um caldo bem forte, para ajudar a querida Renata a recuperar suas forças."
Após dizer isso, ela se afastou obedientemente para o lado, abrindo caminho para os dois.
Observando as costas de Daniel enquanto ele ajudava Renata a subir as escadas com tanto cuidado, vendo-o com os olhos e o coração totalmente voltados para ela, o sorriso no rosto de Gabriela foi desaparecendo aos poucos.
Em seus olhos restou apenas um ciúme gélido e sombrio...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...