"Há muito tempo?" Renata estava confusa. "Mas eu não tenho a menor lembrança disso."
Ela se virou para o médico: "Quando poderei ter alta? Quero ir embora daqui."
A frase "ir embora daqui" escapou de forma instintiva.
Mesmo com a amnésia, a vontade de fugir cravada em seus ossos ainda mantinha um traço de instinto.
Daniel fechou os olhos, sentindo o coração sendo rasgado vivo.
As palavras de Gregório e as palavras de Sófia Lopes ecoaram juntas em seus ouvidos naquele momento.
"Deixe-a ir."
"Deixe-a escolher."
"Não a mantenha mais presa."
Ele havia prometido.
Agora, ela havia acordado, não o conhecia e só queria ir embora.
Que motivo ele ainda tinha para mantê-la ao seu lado?
A notícia logo chegou à Família Pacheco.
Quando Sófia atendeu o telefone, ficou completamente paralisada.
"Perdeu a memória?" Ela se levantou bruscamente. "Não se lembra de ninguém? Não se lembra de Daniel, não se lembra de mim, não se lembra de ter sido envenenada?"
"Por enquanto, sim." A pessoa do outro lado da linha respondeu. "O médico disse que é amnésia induzida por estresse. Não se sabe quando ela vai se recuperar."
As mãos de Sófia tremeram, e o celular quase caiu.
Uma pessoa tão orgulhosa como Renata, sendo levada ao ponto da amnésia, esquecendo toda a dor.
Afinal, isso era uma sorte ou uma desgraça?
"Estou indo para o hospital agora." Sófia pegou o casaco.
Gregório a segurou, com o rosto sério: "Eu vou com você."
"E quanto ao Vicente?"
"As armadilhas já foram preparadas." O tom de Gregório era frio e pesado. "O mais importante agora é a Renata."
Ele fez uma pausa e disse suavemente: "Ela perdeu a memória, não se lembra do ódio, não se lembra do medo."
"Para o Daniel, é um recomeço."
"Para nós, é a melhor oportunidade para protegê-la."
Sófia ficou em silêncio.
Ela não sabia se isso era bom ou ruim para Renata.
Mas ela sabia de uma coisa:
Renata não precisava mais odiar, não precisava mais sofrer, não precisava mais ser assombrada pelos pesadelos do cativeiro.
Talvez essa fosse uma oportunidade dada pelo destino para que ela vivesse de novo.
-
Do quarto da UTI do hospital, ela foi transferida para um quarto comum.
"Sófia..." Ela murmurou suavemente. "Eu acho... que me lembro um pouco."
Sófia: "Não tem problema, não faz mal se não se lembrar."
"Eu ficarei com você."
"Ninguém mais vai maltratá-la, ninguém mais vai prendê-la."
Ao dizer isso, intencionalmente ou não, ela lançou um olhar para Daniel no canto.
Daniel não retrucou, apenas abaixou a cabeça, escondendo a dor em seus olhos.
Ele havia prometido.
Se ela quisesse ir embora, ele não a impediria.
Se ela não quisesse vê-lo, ele iria embora.
Agora, ela havia perdido a memória, estava completamente limpa, como uma folha em branco.
Ele não tinha o direito de arrastá-la de volta para o inferno em nome da "proteção".
A noite foi ficando cada vez mais profunda.
Gregório estava do lado de fora do quarto, atendendo a ligação de um subordinado.
"Encontramos alguns vestígios."
"Vicente está ativo na Zona Oeste. Ele tem capangas com ele e está mantendo pessoas como reféns."
"Parece que ele sabe que estamos procurando por ele e deixou algumas pistas de propósito, como uma provocação."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...