Daniel Azevedo estava sentado ali, com o peito subindo e descendo drasticamente.
Havia momentos na vida em que muitas coisas não permitiam escolha.
Parecia que muitas coisas o empurravam para frente.
Não importava a escolha, tudo parecia errado, tudo parecia insatisfatório.
Mas ele também sabia que Gregório Pacheco estava certo.
Renata Rocha já havia morrido uma vez.
Ele não podia forçá-la uma segunda vez.
Após um longo tempo, ele ergueu os olhos e disse lentamente: "Eu prometo a você."
"Se ela acordar e não quiser me ver, eu vou embora."
"Se ela quiser ir embora, eu não a impedirei."
"Mas a condição é: Vicente Oliveira deve ser capturado primeiro."
Gregório olhou para ele: "Isso é o que todos nós queremos."
"Primeiro, vamos pegá-lo."
"Depois disso, você mantém a sua palavra, e ela faz a escolha dela."
O acordo foi feito.
Quando Daniel voltou ao hospital, o céu já estava escurecendo.
Assim que ele chegou à porta da UTI, o médico veio em sua direção, com um raro traço de alívio no rosto:
"Diretor Daniel, a paciente acordou."
Daniel congelou no lugar.
Por um instante, até sua respiração parou.
Acordou.
Ela acordou.
Ele quase tropeçou ao correr para o lado de fora do vidro, e seus olhos imediatamente encontraram a pessoa na cama.
Renata já havia aberto os olhos, o rosto ainda estava pálido, os lábios sem cor, e o olhar um pouco perdido. Ela olhava suavemente para o teto, parecendo fraca, mas estava, de fato, acordada.
O coração de Daniel relaxou, e ele quase desabou.
Ele se apoiou na parede, recuperando-se por um bom tempo antes de pedir à enfermeira que abrisse a porta, entrando com passos o mais leves possível.
Cada passo parecia pisar nas nuvens.
Havia medo, expectativa e pânico.
Ele caminhou até a beira da cama, a voz tremendo incontrolavelmente:
"Senhorita."
Renata virou a cabeça lentamente e olhou para ele.
Apenas com esse olhar.
Ela ainda era Renata, ainda tinha aquele rosto, aqueles olhos.
Mas naqueles olhos não havia mais o ódio por ele, não havia mais os espinhos, não havia mais a arrogância, nem a recusa em se curvar.
Restava apenas um vazio absoluto.
Daniel ficou de pé ao lado da cama, com a garganta apertada, incapaz de dizer uma única palavra.
Ele havia imaginado inúmeras vezes como ela seria quando acordasse.
Que ela iria xingá-lo, odiá-lo, expulsá-lo, ser histérica.
Ele aceitaria tudo isso.
Mas ele nunca havia imaginado...
Que ela não o reconheceria.
"Qual é o seu nome?" Renata olhou para ele, com um olhar limpo, sem defesas e sem hostilidade, apenas com pura curiosidade.
Daniel abriu a boca, com a voz tão rouca que mal saía o som:
"Daniel."
"Daniel..." Ela repetiu suavemente, franzindo a testa enquanto tentava se lembrar. "Eu... eu deveria te conhecer?"
Seu coração apertou, uma dor que o impedia de respirar.
"Nós..." Ele hesitou, sem coragem de dizer coisas que a assustariam, limitando-se a falar suavemente: "Nós nos conhecemos há muito tempo."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...