“Vou perguntar mais uma vez.” A voz de Daniel era gélida, carregada de opressão. “Foi você quem envenenou a Renata?”
Ao lado, o responsável pelo interrogatório sussurrou: “Senhor, verificamos o celular dela. Ela contraiu uma dívida recentemente e está sob muita pressão.”
“Além disso... ela já foi demitida pela Família Rocha no passado e sempre guardou rancor.”
Motivação, oportunidade, tempo, pistas.
Tudo se encaixava.
Gabriela estava parada não muito longe, com as palmas das mãos suadas e o coração disparado, mas continuava mantendo a aparência frágil e preocupada, com um traço de alívio imperceptível no fundo dos olhos.
Funcionou.
Tudo estava seguindo conforme o planejado.
Amy finalmente desmoronou, debruçada no chão, chorando copiosamente, com a voz rouca: “Foi... fui eu...”
“Fui eu quem envenenou a Srta. Rocha...”
“Eu a odeio... Eu odeio a Família Rocha... Eu devia dinheiro, não queria mais viver, só queria levá-la comigo para a morte...”
“Não tem nada a ver com mais ninguém, fiz tudo sozinha...”
Ela repetia, uma e outra vez, a confissão que já havia decorado, chorando de forma devastadora, parecendo cheia de remorso e desespero.
Todos acreditaram.
Incluindo os empregados, o mordomo e os investigadores ao lado.
Apenas Gabriela sabia que cada uma daquelas palavras era uma mentira comprada com a segurança da família dela e uma grande quantia de dinheiro.
Daniel olhou para Amy chorando no chão, sem nenhuma emoção nos olhos, apenas uma hostilidade fria.
Sem hesitar, ele disse calmamente: “Levem-na.”
“Entreguem à polícia.”
“Que seja julgada como deve ser.”
“Além disso, a família dela...”
Ele fez uma pausa, a voz fria sem qualquer temperatura: “Expulsem todos desta cidade. Que nunca mais tenham permissão para voltar.”
O corpo de Amy enrijeceu, o choro parou abruptamente, e um brilho de desespero passou por seus olhos, mas no fim ela não contestou, não se defendeu mais.
Ela foi arrastada para fora.
A sala de estar mergulhou novamente em um silêncio mortal.
Gabriela soltou um suspiro de alívio lentamente, sentindo o corpo perder as forças, quase incapaz de ficar de pé. Encostou-se na parede, as lágrimas caindo, e disse suavemente: “Como pôde ser a Amy... parecia uma pessoa tão honesta, como pôde ser tão cruel...”
Naquele momento, Gabriela sentiu o corpo todo gelar, como se tivesse caído em um buraco de gelo.
O olhar dele era muito profundo, muito escuro, muito afiado.
Aqueles olhos pareciam ter penetrado todos os seus disfarces, enxergado através de todas as suas mentiras, encarando diretamente o lado mais sombrio, perverso e inconfessável do seu coração.
Ele não disse nada, apenas a olhou silenciosamente.
Mas aquele olhar já dizia tudo.
Ele não acreditava.
Do início ao fim, ele não acreditou totalmente.
As pernas de Gabriela amoleceram, ela quase caiu de joelhos, as lágrimas caindo incontrolavelmente, injustiçada e com medo: “Daniel, você duvida de mim?”
“Como eu poderia fazer uma coisa dessas...”
“Eu sou sua noiva...”
“Por mais que a Renata seja difícil, eu jamais a envenenaria...”
Ela chorava desesperadamente, frágil e vulnerável, usando todos os truques em que era especialista.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...