Ao desligar o telefone, Gabriela desabou no sofá, as lágrimas escorrendo silenciosamente.
Ela sabia que estava sendo cruel, sabia que era perversa, sabia que estava destruindo uma pessoa inocente.
Mas ela não tinha escolha.
Para sobreviver, para permanecer ao lado de Daniel, para proteger tudo o que possuía, ela só podia fazer isso.
Desculpe, Amy.
Se tiver que culpar alguém, culpe o seu destino ruim.
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Tarde da noite, às onze horas.
Daniel voltou para a mansão.
A casa inteira estava num silêncio mortal. Todos estavam de cabeça baixa, sem ousar respirar alto, com os rostos pálidos.
Assim que ele entrou, aquela aura de violência avassaladora oprimiu a todos, dificultando a respiração.
“Senhor.” O mordomo se adiantou, com a voz trêmula. “A investigação já começou, as câmeras estão sendo verificadas, todos que tiveram contato com a Srta. Rocha estão aguardando interrogatório.”
Daniel não olhou para ele. Seu olhar varreu a sala de estar, parando finalmente no sofá, onde Gabriela estava com os olhos vermelhos e uma expressão de fragilidade e preocupação.
Ele hesitou por um instante, e aquela ponta de suspeita surgiu novamente em seu coração, mas foi forçosamente reprimida.
“Como a Renata está?” Gabriela levantou-se, com os olhos marejados, parecendo digna de pena.
“Estou tão preocupada com ela... Como ela pôde ser envenenada de repente? Quem seria tão cruel...”
Sua atuação era impecável: gentil, bondosa, preocupada, assustada.
Idêntica à noiva sensata e dócil de sempre.
Daniel olhou para ela, com um olhar profundo, indecifrável: “Ainda na UTI, fora de perigo, mas instável.”
“Como isso pôde acontecer...” Gabriela cobriu a boca, as lágrimas caindo. “Hoje à tarde eu ainda levei o caldo para ela. Embora ela não quisesse tomar, ela parecia bem. Como de repente...”
Ela mencionou o caldo proativamente, mencionou que teve contato com Renata, o que a fez parecer transparente.
Daniel franziu a testa ligeiramente: “Onde está o caldo?”
“Eu... eu recolhi e levei para baixo para lavar...” Gabriela respondeu imediatamente, sem desviar o olhar.
Gabriela levou o caldo, ficou menos de dez minutos. Toda a monitorização mostrava movimentos normais, expressão gentil, sem nenhuma anomalia.
Já Amy, entrou no quarto para levar água depois que Gabriela saiu e ficou quinze minutos.
O ângulo da câmera era limitado, só era possível vê-la entrando e saindo, não o que aconteceu lá dentro.
Ao mesmo tempo, na lixeira da cozinha, encontraram a tigela que Gabriela usou para o caldo, já lavada e sem resíduos.
Mas na lixeira da curva da escada do segundo andar, encontraram a embalagem esmagada de um medicamento proibido no exterior.
E Amy era justamente a responsável pela limpeza daquela área.
Todas as pistas apontavam sutilmente para Amy.
O rosto de Daniel estava sombrio. Sentado no lugar principal da sala, ele olhou friamente para Amy, que estava de pé ao lado, tremendo inteira e com o rosto pálido como papel.
“Foi você.”
Não era uma pergunta, era uma afirmação.
Amy, apavorada, sentiu as pernas cederem e caiu de joelhos no chão, chorando e soluçando, tremendo sem parar, mas cerrando os dentes com força, sem dizer uma palavra no início.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...