Daniel olhou para ela e permaneceu em silêncio por um longo tempo.
Ele não tinha provas.
Nenhuma prova direta que confirmasse que tinha sido Gabriela.
Todas as pistas, todos os depoimentos, todos os arranjos apontavam perfeitamente para Amy. Gabriela, do começo ao fim, foi impecável: gentil, sensata, transparente, inocente.
Mas ele simplesmente não acreditava.
A intuição masculina, a cautela de quem já passou por muitas tempestades e aquele conhecimento sobre Gabriela que ele nunca verbalizara, tudo lhe dizia—
Estava errado.
Não era a Amy.
Era essa mulher diante dele, chorando copiosamente, frágil e inocente.
Era a noiva que ele mesmo escolheu, manteve ao seu lado e a quem deu status e posição.
“Estou cansado.”
Finalmente, Daniel disse apenas isso, desviando o olhar, sem olhar mais para ela.
“Vou para o hospital.”
“Os assuntos de casa, por enquanto, encerram-se aqui.”
Ele se virou e caminhou em direção à porta, as costas decididas, sem nenhum sinal de hesitação.
Gabriela desabou no chão, as lágrimas escorrendo silenciosamente, o corpo todo gelado.
Ele suspeitava dela.
Ele claramente suspeitava dela, mas não a expôs, não a questionou, não a perseguiu.
Mas esse ato de não expor, não perseguir e não acreditar a aterrorizava mais do que se ele a tivesse xingado, batido ou punido diretamente.
Isso significava que—
Ele não confiava mais nela.
Ele já a havia colocado na zona de perigo.
-
Hospital, fora da UTI.
Daniel estava diante da janela, olhando para Renata ainda em coma lá dentro, pegou o celular e discou um número.
“Continuem investigando.”
“Verifiquem as contas da Amy, vejam com quem ela entrou em contato recentemente, quem lhe deu dinheiro, quem a ameaçou.”
“Verifiquem todos os registros de chamadas, transferências bancárias e pessoas com quem Gabriela teve contato.”
“Revirem a terra se for preciso, mas descubram.”
“Eu quero a verdade.”
O fundo dos seus olhos estava coberto de sangue, o olhar assustadoramente sombrio.
Ele não recusou, apenas assentiu levemente: “Deixe-os vir.”
Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, eles viriam.
-
Alguns minutos depois.
Duas figuras vieram do final do corredor.
Sófia caminhava na frente, o rosto pálido, os olhos escondendo uma preocupação e uma raiva incontroláveis. Mesmo com suas roupas elegantes, não conseguia disfarçar a tensão em seu corpo.
Assim que soube que Renata tinha sido envenenada, ido para a UTI e quase morrido, seu coração se apertou, e ela quis correr imediatamente para confrontar Daniel.
Gregório a acompanhava, com postura ereta e expressão calma, uma mão apoiando levemente a cintura de Sófia, acalmando silenciosamente as emoções dela.
Os dois pararam na porta da UTI.
O olhar de Sófia não foi para o quarto primeiro, mas caiu diretamente sobre Daniel, frio, decepcionado e carregando uma acusação indisfarçável.
“Daniel.”
Ela falou, a voz muito leve, mas pesada como chumbo.
“Eu confiei a Renata a você, não foi para você prendê-la, não foi para forçá-la a fazer greve de fome, e muito menos para levá-la a ser envenenada, parar numa UTI e quase morrer na sua frente.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...