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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1491

Os comprimidos dentro do frasco foram trazidos secretamente do exterior por um contato dela, inodoros, insípidos, em dose leve, misturados em comida ou água, não fariam efeito imediato.

Só fariam a pessoa enfraquecer lentamente, entrar em coma e, finalmente, sofrer uma parada cardíaca, algo que até os médicos teriam dificuldade em identificar imediatamente como envenenamento.

Ela tirou o comprimido, segurando-o na ponta dos dedos, com a palma da mão suando frio.

Bastava colocar na sopa, levar para cima, ver Renata beber, e tudo estaria acabado.

Estava com medo?

Sim.

Ela nunca tinha feito algo tão cruel. Só de pensar que uma vida desapareceria por causa dela, ela tremia inteira.

Mas ao pensar em Renata ocupando todo o olhar de Daniel, ao pensar em Renata bagunçando sua casa, seu noivo e toda a sua vida, aquele pouco de medo foi imediatamente afogado pelo ciúme e pelo ódio.

Ela cerrou os dentes, e com as mãos trêmulas, esmagou o comprimido e despejou o pó discretamente na sopa morna.

O pó se dissolveu rapidamente, sem cor nem cheiro, parecendo não ter diferença alguma do normal.

Gabriela pegou a tigela, respirou fundo, esforçou-se para fazer sua expressão voltar àquela aparência gentil e inofensiva de sempre, e subiu as escadas passo a passo em direção ao quarto de hóspedes de Renata.

A porta não estava trancada, Gabriela a empurrou levemente e ela se abriu.

Ela entrou no quarto e logo viu Renata na cama, à beira da morte.

Renata estava de olhos fechados, a respiração fraca, o rosto pálido como um papel, como se fosse perder os sinais vitais a qualquer segundo.

Um lampejo de prazer passou pelo coração de Gabriela, logo substituído pelo nervosismo.

Ela caminhou até a cama, com passos leves, a voz suave como água, exatamente como de costume:

"Renata, eu sei que você não quer comer, mas você não come nem bebe há tantos dias, seu corpo vai colapsar."

"Eu preparei uma sopa especial para você, é muito nutritiva, beba pelo menos um pouco, está bem?"

Renata abriu os olhos lentamente, a visão embaçada, demorou um pouco até conseguir distinguir que era Gabriela.

Como ela poderia tocar em algo oferecido por uma pessoa assim?

Um brilho sombrio passou pelos olhos de Gabriela, que ela disfarçou rapidamente.

Ela sabia que Renata não beberia por vontade própria, então teria que ser à força.

Ela pousou a tigela, estendeu a mão e, de repente, apertou com força o queixo de Renata, forçando-a a levantar a cabeça. Com a outra mão, pegou a sopa, e seu tom de voz esfriou instantaneamente, sem mais fingimentos:

"Renata, não abuse da sorte."

"Estou te oferecendo comida por boa vontade. Se não quer beber, vai beber assim mesmo."

Renata não esperava que Gabriela agisse com violência repentina, seu corpo fraco não tinha força alguma para resistir. O queixo doía com o aperto, e seus lábios foram forçados a se abrir levemente.

Gabriela aproveitou a oportunidade e forçou uma colherada da sopa misturada com veneno goela abaixo.

Um gosto amargo e estranho se espalhou pela boca.

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