Mas essas dores físicas não se comparavam ao desespero silencioso e mortal no fundo de seu coração.
Daniel não a deixava ir.
Não a deixava ver ninguém.
Não a deixava contatar o mundo exterior.
Até sua única amiga, Sofia, foi barrada na porta.
Ele realmente planejava mantê-la presa pelo resto da vida.
Renata mantinha os olhos fechados, sua consciência oscilando entre a lucidez e o borrão.
Ela pensou em aguentar assim, aguentar até a morte, aguentar até que Daniel finalmente aceitasse soltá-la, até que todo o sofrimento acabasse.
Renata tinha um orgulho inato, que não lhe permitia abaixar a cabeça, não lhe permitia implorar por misericórdia, não lhe permitia mostrar qualquer sinal de fraqueza na frente de Daniel e Gabriela.
Mas o colapso do corpo foi muito mais rápido do que sua força de vontade.
Ela frequentemente caía em sonolência, dormindo a maior parte do dia, e seus sonhos eram repletos de imagens do passado.
O Daniel adolescente, seguindo atrás dela, silencioso, confiável e obediente.
Se ela mencionasse casualmente que estava com frio, ele imediatamente tirava o casaco para cobri-la.
Se ela quisesse comer um doce no meio da noite, ele dirigia por meia cidade só para comprar um chocolate quente para ela.
Se alguém a intimidasse, ele se colocava na frente dela sem dizer uma palavra, dizendo "Estou aqui".
Naquela época, ele era seu anjo da guarda.
Agora, ele era sua prisão.
Lágrimas deslizaram silenciosamente pelo canto de seus olhos, encharcando a fronha, frias como gelo.
Renata moveu levemente os dedos, sem forças nem para levantar a mão e enxugar as lágrimas.
Ela sabia que não aguentaria por muito mais tempo.
Se continuasse assim, Gabriela não precisaria fazer nada, Daniel não precisaria forçá-la, ela mesma se consumiria até a morte.
Mas ela não se conformava.
Ela ainda não tinha ido para o exterior, ainda não tinha realizado seu sonho de ser uma médica dos Médicos Sem Fronteiras, ainda não tinha se livrado completamente desta gaiola, ainda não tinha vivido de verdade...
Enquanto Renata estivesse viva, Daniel nunca colocaria seu coração nela.
Enquanto Renata estivesse nesta casa, ela viveria para sempre com medo e insegurança.
Um pensamento terrível cresceu loucamente em seu coração, tornando-se cada vez mais claro e firme.
Fazer Renata desaparecer para sempre.
Uma vez que esse pensamento criou raízes, não pôde mais ser suprimido.
Ela sabia muito bem o quanto Daniel valorizava Renata. Se Renata morresse, todas as ameaças desapareceriam, todos os laços seriam cortados, e Daniel só poderia voltar para o lado dela.
Ela começou a planejar.
Renata não comia nem bebia, seu corpo já estava extremamente fraco, agir agora seria o momento menos suspeito.
Todos pensariam que Renata morreu de falência múltipla dos órgãos devido ao jejum excessivo.
Ninguém saberia, ninguém desconfiaria.
Gabriela respirou fundo, suprimindo o medo e o pânico em seu coração, e tirou do fundo da gaveta um pequeno e discreto frasco branco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...