Daniel abriu os olhos. — Eu sei que ela vai me odiar.
— Eu sei que ela nunca vai me perdoar nesta vida.
— Eu sei que, no coração dela, me tornei um louco, um pervertido, um carcereiro maníaco.
— Não tem problema.
— Que me odeie, que me xingue, que nunca mais fale comigo a vida toda.
Daniel respirou fundo. — Pelo menos, ela está viva.
— Pelo menos, ela está segura.
— Contanto que ela fique sã e salva ao meu lado, mesmo que seja odiado por ela a vida inteira, eu aceito.
O escritório mergulhou em um silêncio absoluto.
Gregório olhou para o homem à sua frente e, por um momento, não soube o que dizer.
Ele pensava que fosse obsessão, possessividade, falta de aceitação por parte de Daniel.
Mas não imaginava que o que sustentava Daniel a fazer tudo isso era uma razão tão cruel e impotente.
Usar sua própria reputação de uma vida inteira e a liberdade de uma vida inteira de Renata, apenas para salvar a vida dela.
Era uma proteção onde ambos saíam perdendo.
— O senhor já pensou — disse Gregório suavemente — que talvez ela prefira morrer a viver presa por você a vida inteira?
O corpo de Daniel enrijeceu bruscamente.
A frase foi como uma faca cravada em seu coração.
Ele já tinha pensado.
Inúmeras noites, parado à porta do quarto de Renata, ouvindo o silêncio mortal lá dentro, ele pensava nessa questão.
Renata era tão orgulhosa, tão radiante, como uma águia que nasceu para voar nos céus.
Ele trancou a águia na gaiola, deu-lhe a melhor comida, o ninho mais quente, mas quebrou suas asas.
Para ela, isso era mais doloroso do que a morte.
— Eu sei. — A voz de Daniel tremia levemente, mas ele não recuou. — Ainda assim, não posso soltá-la.
— Estando viva, tudo é possível.
— Morta, não sobra nada.
— Daniel, não espere até o fim, quando ela sobreviver, mas você tiver congelado o coração dela completamente.
— Nesse dia, você terá mantido o corpo dela, mas a terá perdido para sempre.
Assim que terminou de falar, Gregório empurrou a porta e saiu.
A porta do escritório foi fechada suavemente.
Daniel sentou-se sozinho no escritório vazio, imóvel.
-
Renata já estava sem comer ou beber pelo quinto dia.
Ela estava encolhida no canto mais afastado da cama, com o rosto pálido como cera.
Seus olhos, antes brilhantes e aguçados, agora tinham apenas uma fina camada de lágrimas, opacos e sem vida.
Ela mal tinha forças para abrir os olhos, sua respiração era tão leve que quase não se sentia, apenas o fraco movimento do peito provava que ela ainda estava viva.
A fome já não era a sensação mais terrível.
A garganta ardia e doía como se tivesse sido queimada pelo fogo, o estômago estava vazio, com espasmos de dor, os membros estavam moles, e a tontura era constante, qualquer movimento mínimo fazia sua visão escurecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...