— É assunto seu, e também de Renata.
Gregório falou sem pressa: — Você acha que a está protegendo, mas alguma vez perguntou a ela se é esse tipo de proteção que ela deseja?
— Ela queria ir para o exterior trabalhar nos Médicos Sem Fronteiras, esse era o ideal dela, para o qual se preparou por muitos anos.
— Com uma única frase, você despedaçou todo o esforço dela, trancando-a nesta gaiola dourada e fazendo-a viver sob o seu controle pelo resto da vida.
— Daniel, sentimentos não funcionam assim.
A voz de Gregório era suave, mas cada palavra feria como uma lâmina:
— Você a amarra ao seu lado, ela não vai te agradecer, não vai se apaixonar por você, só vai te odiar cada vez mais.
— Odiar até a alma.
— Odiar a ponto de, nesta vida, a simples lembrança de você trazer apenas medo e sufocamento.
Um silêncio mortal pairou sobre o escritório.
Daniel baixou os olhos, seus longos cílios ocultavam as emoções no fundo do olhar, ninguém sabia o que ele estava pensando.
Passou-se muito, muito tempo até que ele levantasse a cabeça lentamente.
— Eu sei.
A voz de Daniel era baixa, carregando uma rouquidão quase imperceptível, era a primeira vez que ele despia todos os disfarces na frente de alguém.
— Eu sei que ela vai me odiar.
— Eu sei que tudo o que faço agora só vai fazer com que ela me deteste mais, que queira fugir de mim cada vez mais.
— Eu sei, fazer isso é egoísta, é excessivo, é irracional.
A cada frase, seu rosto empalidecia um pouco mais.
Gregório o observava, sem interromper.
Ele percebia que não era falta de compreensão da parte de Daniel, ele simplesmente não tinha escolha.
— Então por que você insiste nisso?
Gregório perguntou em voz baixa: — Deixe-a ir, será bom para ela e para você também.
— Ela pode seguir a vida dela, você pode viver a sua com Gabriela, sem dívidas, sem interferências, não seria melhor?
— Não posso falar muito. — A voz de Daniel era profunda. — Só posso dizer que, se ela for, será um caminho sem volta, uma sentença de morte.
— Eu posso enviar seguranças para protegê-la. — disse Gregório. — Posso usar meus contatos para garantir a segurança dela.
— Não adianta. — Daniel negou com a cabeça, com um tom de exaustão na voz. — O inimigo não é tão simples quanto o senhor imagina.
— Eu tentei, tentei todos os caminhos. Assim que ela der esse passo, não haverá chance de retorno.
— Então você escolhe o cárcere? — Gregório o encarou. — Escolhe destruir a vida dela inteira em troca de mantê-la respirando?
Daniel fechou os olhos, e seu pomo de adão moveu-se levemente.
Aquela frase atingiu seu ponto mais doloroso.
Ele sabia, melhor do que ninguém, que ao fazer isso estava destruindo Renata.
Destruindo seu ideal, destruindo sua liberdade, destruindo sua alegria, destruindo todas as expectativas que ela tinha da vida.
Mas ele não tinha escolha.
— É a única maneira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...