"Eu nem consegui ver o rosto dela."
"Mas eu consigo imaginar... ela é tão orgulhosa, ser trancada à força na casa de outra pessoa, sem comer e sem beber em protesto, e o Daniel ainda disse que vai dar injeção de nutrientes nela, forçá-la a viver, forçá-la a ficar..."
Ela não conseguiu continuar, a garganta apertada.
A expressão de Gregório esfriou completamente.
Ele entendia muito bem o temperamento de Renata.
Quando aquele grupo de amigos estava junto anos atrás, Renata sempre foi a mais brilhante, a mais livre.
Ela fazia o que queria, ia para onde queria, ser médica sem fronteiras era um sonho que ela guardava há anos, não um impulso momentâneo.
Daniel, sob o pretexto de "proteger" e "pelo seu bem", estava quebrando as asas dela, aprisionando seu corpo e assassinando seus sonhos.
Isso não era amor.
Era destruição.
"Por que ele insiste em fazer isso?"
Sófia levantou a cabeça para olhar Gregório, os olhos cheios de incompreensão. "A Renata só quer ir para o exterior, só quer deixá-lo, só quer viver a própria vida."
"Ele tem a noiva dele, a Gabriela, tem a vida dele, por que simplesmente não deixa a Renata em paz?"
Gregório ficou em silêncio por um momento e falou devagar: "Pelo pouco que conheço do Daniel, ele não é de fazer coisas sem sentido."
"Prender a Renata com tanta firmeza ao lado dele... deve haver um motivo."
"Nenhum motivo justifica manter alguém em cativeiro", rebateu Sófia imediatamente.
"A Renata é uma mulher adulta, ela tem o direito de escolher a própria vida. Mesmo que haja perigo, é a escolha dela."
"Com que direito o Daniel decide por ela?"
"Não estou defendendo ele."
Gregório manteve a voz firme. "Estou dizendo que, para salvar a Renata, não podemos apenas bater de frente."
"O Daniel está irredutível agora. Chamar a polícia, fazer escândalo, tentar invadir, nada disso vai adiantar. Só vai complicar as coisas e fazer com que ele esconda a Renata ainda mais fundo e a vigie com mais rigor."
Sófia sentiu um aperto no peito, mas teve que admitir que Gregório estava certo.
Ele fez uma pausa, a voz ficando mais grave:
"Se ele realmente tiver algum sentimento pela Renata, ele vai escutar essa frase."
"Quando você vai procurá-lo?" perguntou Sófia.
"Amanhã de manhã", disse Gregório. "Esse tipo de coisa, quanto mais demora, pior para a Renata."
Naquela noite, Sófia quase não dormiu.
Ela deitava na cama, revirava-se, com a mente cheia da imagem de Renata naquele quarto de hóspedes frio.
Greve de fome, desespero, isolamento... cada vez que pensava, o coração doía.
Gregório ficou ao lado dela o tempo todo, dando tapinhas leves em suas costas, consolando-a em voz baixa.
Ele sabia que a amizade entre Sófia e Renata era de vida ou morte.
Algo acontecer com a Renata doía mais nela do que se fosse com ela mesma.
"Não se preocupe." Gregório sussurrou no ouvido dela. "Eu com certeza vou trazer a Renata de volta em segurança."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...