“Eu não quero nada.”
“Ir para o exterior, impossível.”
“Renata, não me obrigue.”
Ela olhou para Daniel.
“Daniel, suma.”
“Agora, imediatamente, desapareça da minha frente.”
“Não quero mais ver você, nem por um segundo.”
“Suma——!”
A última palavra foi gritada com quase toda a força de seu corpo, a voz rouca, num rugido de desespero.
O rosto de Daniel ficou feio ao extremo num instante.
A mão que segurava o pulso dela tremia levemente.
Ele nunca tinha visto Renata daquele jeito.
“Renata, não me force.”
“Médicos Sem Fronteiras, você sabe o quanto é perigoso?”
O homem olhou para ela. “Não pode deixar de ser teimosa? Você já é adulta.”
“Enquanto eu estiver aqui, você não sai.”
Dito isso, ele soltou bruscamente o pulso dela, com tanta força que Renata cambaleou para trás e bateu as costas com força na porta.
Daniel olhou para ela profundamente uma vez, um olhar assustadoramente complexo, com dor, ódio, amor, paranoia e loucura, que no fim se transformaram em pura hostilidade fria.
Ele se virou, não olhou mais para trás, e caminhou a passos largos para a escuridão, sua silhueta desaparecendo rapidamente no final do corredor.
No pulso, a marca vermelha nítida que ele deixou doía e formigava.
Mas Renata sentia que a dor no peito doía dez mil vezes mais do que aquilo.
Por que?
Por que ele tinha que tratá-la assim?
Por que ela tinha que ficar presa assim a vida toda?
Ela não aceitava.
Ela absolutamente não aceitava.
Chorou por muito tempo, até as lágrimas secarem e a garganta ficar rouca, então Renata se levantou lentamente.
Ela abriu a porta e entrou em sua pequena casa.
Fechou a porta, isolando a escuridão e o frio de fora, e também isolando todo o sufocamento que Daniel trazia.
Justo quando o alto-falante tocou, anunciando o início do embarque para o seu voo, alguns homens vestindo ternos pretos e com expressões sérias caminharam rapidamente até ela.
Eles bloquearam o caminho dela, com atitude respeitosa, mas tom firme.
“Srta. Rocha, por favor, venha conosco.”
O rosto de Renata ficou pálido instantaneamente, o corpo todo gelado.
Ela instintivamente quis correr, mas foi firmemente bloqueada pelos homens.
“Quem são vocês?”
“Srta. Rocha, não nos dificulte.” O homem que liderava disse em voz baixa. “Foi o Patrão que nos mandou. Ele disse que a senhora não pode ir.”
Daniel.
Era Daniel de novo.
A força do corpo de Renata pareceu ser drenada num instante.
Ela olhou para as pessoas à sua frente, olhou para o portão de embarque que estava tão perto, mas do qual não podia mais se aproximar, e viu seu sonho e liberdade, que estavam ao alcance da mão, serem destruídos num instante.
O desespero, como uma maré, a submergiu completamente.
Como ele ousava.
Como ele ousava ser tão presunçoso com ela?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...