Nunca lhe dava um status.
Renata chegou à porta de casa, pegou a chave e, quando ia inseri-la na fechadura, seu pulso foi subitamente agarrado com força por uma mão grande, quente e poderosa.
A força era tanta que quase esmagou seus ossos.
Ela levou um susto, o corpo todo enrijeceu, e instintivamente tentou lutar.
Na escuridão, a voz grave e sombria do homem soou acima de sua cabeça, com uma dominância irrecusável: “Não se mexa.”
A voz familiar, o cheiro familiar, instantaneamente fizeram o sangue de Renata esfriar.
Era Daniel.
O que ele fazia ali?
Renata levantou a cabeça bruscamente, encontrando os olhos do homem, profundos como um lago gelado.
Ele estava parado atrás dela, com sua figura alta, praticamente cobrindo-a inteira com sua sombra.
Uma mão segurava firmemente o pulso dela, enquanto a outra já se apoiava no painel da porta, bloqueando a entrada com firmeza, impedindo-a de entrar.
Com a porta bloqueada por ele, ela não tinha nem o direito de se esconder em sua própria casa.
O coração de Renata afundou pouco a pouco, e seus olhos se encheram de um profundo desgosto e cansaço.
Ela lutou com força, tentando se soltar da mão dele, com a voz fria como gelo: “Daniel, me solta!”
“Não solto.” Daniel baixou a cabeça, o olhar fixo no rosto dela, recusando-se a desviar um milímetro.
Seu olhar era ardente e louco, carregado de uma possessividade quase paranoica, como se quisesse engoli-la inteira.
“Renata, vamos conversar.”
“Eu não tenho nada para conversar com você.” Renata virou o rosto, não querendo olhar para aquele rosto que a fazia sentir tanto ódio e dor. “Sai da frente, eu quero ir para casa.”
“Casa?” Daniel riu baixo, uma risada cheia de frieza e escárnio. “Você acha que esta ainda é uma casa onde você pode ficar em paz?”
A ponta dos dedos dele apertou um pouco mais, machucando o pulso dela.
“Precisa mesmo ir para um lugar tão perigoso?”
Renata virou a cabeça bruscamente, os olhos vermelhos, as lágrimas girando nas órbitas.
Mas não queria dar amor, não queria dar status, não queria dar nem um pingo de dignidade.
Ele apenas a tratava como um objeto, um objeto que pertencia a ele, Daniel.
Por que?
Renata riu, riu até as lágrimas escorrerem, um riso desesperado e desolado.
“Daniel, o que você quer afinal?”
“Você tem sua noiva Gabriela, você tem seu noivado, você tem sua vida.”
“Por que você simplesmente não me deixa em paz?”
“Eu não te amo, eu não quero ficar ao seu lado, eu só quero te deixar, só quero perseguir meu próprio sonho, isso é errado?”
“O que você quer que eu faça?”
Daniel olhou para o rosto dela banhado em lágrimas, e sentiu como se uma mão invisível apertasse seu coração com força.
Mas quando as palavras chegaram à boca, transformaram-se numa dureza ainda mais ferina.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...