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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1473

Daniel Azevedo.

Essas duas palavras roçaram suavemente no fundo do coração.

Renata Rocha respirou fundo.

Ela baixou o olhar, escondendo as emoções que se agitavam em seus olhos.

Ele era seu guarda-costas. Desde que ela tinha quinze anos, ele a protegia sem se afastar um único passo, num piscar de olhos, doze anos inteiros haviam se passado.

Doze anos eram suficientes para uma pequena muda se tornar uma árvore imponente.

Eram também suficientes para que um afeto cultado dia após dia, silenciosamente, criasse raízes e brotasse, transformando-se em videiras entrelaçadas no coração, impossíveis de arrancar ou cortar, doendo ao menor toque.

Daniel era três anos mais velho que ela. Chegou à Família Rocha aos dezoito anos. Naquela época, tinha acabado de dar baixa das forças especiais, sua postura era ereta como um pinheiro, o olhar afiado como o de uma águia, silencioso, mas sempre aparecendo no primeiro instante em que ela precisava.

Quando a bloquearam no caminho da escola, foi ele quem, sem dizer uma palavra, se colocou à frente dela, isolando toda a malícia do lado de fora.

Quando ela teve febre alta no meio da noite, foi ele quem a carregou, correndo até o hospital, e velou seu sono ao lado da cama sem fechar os olhos a noite toda.

Quando ela foi assediada por pessoas mal-intencionadas em um jantar de gala, foi ele quem se aproximou discretamente, afastando o outro apenas com um olhar.

Quando ela, em um capricho, quis ver o mar de madrugada, foi ele quem dirigiu silenciosamente para acompanhá-la até a praia, ouvindo quietamente suas confissões e divagações a noite inteira.

Ele sempre foi assim: falava pouco, mas fazia tudo com extrema perfeição. Obedecia a tudo, sem nunca contestar, para ele, as palavras dela eram ordens sagradas.

Ela disse inúmeras vezes, em tom de brincadeira: "Daniel, me seguindo assim, você nunca vai conseguir ter sua própria vida."

Ele sempre baixava os olhos, com a voz grave e estável, respondendo apenas: "Proteger a Senhorita é o meu dever."

Senhorita.

Essa palavra era como um grilhão invisível entre eles, inalterada por doze anos.

Ele nunca cruzou a linha, nunca teve um momento de ousadia diante dela.

Ela pensou que, se persistisse o suficiente, se fosse corajosa o bastante, um dia conseguiria aquecer aquela pedra.

Até que ele teve uma noiva.

Ela resistiu.

E Daniel, do início ao fim, apenas ficou silenciosamente atrás dela, vendo-a chorar, vendo-a fazer escândalo.

Ele não disse uma palavra de oposição, não fez nada fora do comum.

Renata não queria mais ver Daniel todos os dias, vê-lo guardar aquela fronteira, ignorando os sentimentos dela.

Por isso, ela escolheu partir, fugir para um lugar sem ele, sem a Família Rocha, sem aquele noivado absurdo, para fazer o que queria, salvar pessoas que precisavam de ajuda e, assim, libertar a si mesma.

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